Incêndio na UFPE destrói 40 anos de pesquisa e R$ 100 milhões em danos
Destaques
- •Um incêndio de grandes proporções na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) destruiu um antigo prédio que abrigava laboratórios de pesquisa.
- •O prejuízo estimado é de R$ 100 milhões, incluindo um repositório com 20 mil moléculas fruto de 40 anos de pesquisa e amostras de pacientes com câncer e Chikungunya.
- •Esforços estão sendo feitos para realocar pesquisadores e retomar projetos, com apoio de órgãos de fomento e outras instituições.
Um incêndio de grandes proporções atingiu a antiga sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no dia 7, consumindo toda a estrutura e causando um prejuízo total estimado em R$ 100 milhões. O fogo avançou rapidamente, destruindo laboratórios de pesquisa que abrigavam um repositório com 20 mil moléculas, resultado de 40 anos de trabalho para o desenvolvimento de diagnósticos e fármacos mais eficientes contra diversos tipos de câncer.
A estrutura destruída também abrigava o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (Nupit), coordenado pelo professor Moacyr Rego. O Nupit realizava pesquisas clínicas com um biorrepositório de amostras de pacientes com câncer (pâncreas, vesículas biliares, bexiga e pulmão) e de 900 pacientes com Chikungunya monitorados há três anos. O laboratório também investigava os efeitos de agrotóxicos e outras condições insalubres em trabalhadores da cana-de-açúcar e do Polo Gesseiro, em parceria com o Ministério Público do Trabalho de Pernambuco.
Perdas irreparáveis e o futuro da pesquisa
O coordenador Moacyr Rego lamentou a perda, destacando que o dano material pode ser reconstruído, mas a perda das amostras de pacientes e do banco de moléculas é irrecuperável. Ele já vislumbra parcerias com o Hospital das Clínicas da UFPE para tentar reconstruir o conjunto de amostras genéticas.
O prédio de 2.967 metros quadrados, com dois andares, também sediava o Departamento de Educação Física e o Laboratório de Biossegurança nível 3 (NB3). A causa do incêndio ainda não foi revelada, mas a Polícia Federal de Pernambuco instaurou um inquérito para apurar o desastre. O Corpo de Bombeiros informou que a perícia técnica será responsável por determinar a origem das chamas.
Apoio e realocação dos pesquisadores
Mais de 90 pesquisadores de mestrado e doutorado e 20 de iniciação científica atuavam no Nupit. Diante da tragédia, os esforços se concentram na realocação desses profissionais e na retomada de seus projetos. A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, anunciou apoio de R$ 40 milhões. Órgãos como a Capes e o CNPq se dispuseram a ajudar com ações de mobilidade e prorrogação de bolsas de estudo, permitindo que os estudantes acessem outros laboratórios no Brasil e no exterior. A solidariedade da comunidade científica tem sido um ponto de alívio, com diversas instituições oferecendo seus laboratórios.
Impacto em pesquisas específicas
Entre os trabalhos interrompidos, a neurocientista Michelle Melgarejo perdeu 20 amostras de sangue de policiais rodoviários que investigavam a relação entre estresse no trabalho, variações genéticas, depressão e suicídio. A pesquisa, que já registrava um aumento de 37% nos suicídios entre policiais de 2017 a 2025, tinha potencial para ser ampliada. O doutorando Victor Ferreira, do Departamento de Educação Física, teve dados de oito anos de pesquisa sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no desempenho escolar de crianças destruídos. Embora os resultados de performance acadêmica tenham sido salvos, informações sobre o nível de atenção dos estudantes, registradas em papel, foram perdidas, comprometendo a devolutiva dos dados para a população.
Matérias originais
- Chamas na UFPE destroem 40 anos de pesquisas para tratamento do câncer · revistapesquisa.fapesp.br


