Primeiro caso de Ebola na Nigéria acende alerta sanitário na África

Destaques
- •Diplomata vinda de Uganda testou positivo para Ebola na Nigéria, aumentando o temor de disseminação do vírus no continente.
- •O caso levanta dúvidas sobre a situação epidemiológica em Uganda, que havia declarado o fim do surto.
- •Africa CDC convocou reunião de ministros da Saúde para coordenar vigilância em fronteiras e harmonizar protocolos de resposta.
A confirmação do primeiro caso de Ebola na Nigéria, nesta terça-feira (20/10), ampliou uma grave crise sanitária e reforçou o temor de que a epidemia em curso na República Democrática do Congo (RDC) esteja se espalhando pelo continente africano. A paciente, uma diplomata que viajou de Uganda para Abuja, capital nigeriana, só recebeu o diagnóstico 16 dias após chegar ao país, o que aumenta o risco de transmissão.
O diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Mohamed Janabi, afirmou que o continente enfrenta uma situação “mais complexa” após a identificação de um caso importado em território nigeriano. Autoridades sanitárias nigerianas informaram que 44 pessoas que tiveram contato com a paciente já foram identificadas e estão sendo monitoradas. Exames confirmaram que a infecção foi causada pela variante Bundibugyo do vírus, a mesma responsável pela epidemia que atinge atualmente a RDC.
Demora no diagnóstico e dúvidas sobre Uganda
O caso chamou a atenção das autoridades de saúde porque a paciente só recebeu o diagnóstico em 19 de outubro, mais de duas semanas após chegar à Nigéria. Antes disso, ela passou por duas clínicas privadas e foi internada em 11 de outubro. Segundo o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), a demora no diagnóstico aumenta o risco de transmissão e explica a preocupação com um possível número elevado de casos associados à paciente.
Em entrevista, o diretor-geral do Africa CDC, Jean Kaseya, afirmou que a paciente havia passado duas semanas em Kampala, capital de Uganda, ao lado do marido antes de viajar para Abuja. Ela nunca esteve na República Democrática do Congo (RDC), atual epicentro da epidemia. A informação levanta dúvidas sobre a situação epidemiológica em Uganda, que declarou o encerramento do surto no fim de agosto após registrar 20 casos e duas mortes. Questionado sobre a possibilidade de o vírus continuar circulando no país, Kaseya afirmou que o assunto será discutido diretamente com as autoridades ugandesas.
Expansão geográfica e pressão internacional
A chegada do vírus à Nigéria torna o país mais populoso da África a quarta nação do continente a registrar casos da variante Bundibugyo neste ano. A epidemia na RDC, iniciada em maio, é a 17ª de sua história e já se tornou a mais letal, com cerca de 9.600 casos e aproximadamente 4.600 mortes na região afetada. Além da RDC e Uganda, o Quênia confirmou seu nono caso e contabilizou ao menos uma morte.
A expansão geográfica da epidemia preocupa especialistas. O número diário de novos casos na RDC permanece entre 65 e 70, indicador considerado incompatível com uma epidemia sob controle. Diante da expansão da doença, o Africa CDC convocou para 28 de outubro uma reunião com ministros da Saúde de diversos países africanos para coordenar medidas de vigilância em áreas de fronteira e harmonizar protocolos de resposta.
Debate sobre recursos e próximos passos
O dirigente do Africa CDC também comentou uma controvérsia recente sobre o financiamento internacional destinado ao combate à epidemia. Ele esclareceu que a preocupação é garantir que os governos africanos tenham conhecimento integral dos recursos aplicados em seus territórios, defendendo uma relação baseada em transparência. A confirmação do caso na Nigéria reforça a avaliação de que a crise ainda está longe de ser controlada e que a contenção do vírus dependerá cada vez mais da coordenação entre países diante da crescente circulação transfronteiriça de pessoas.
Matérias originais
- Caso de ebola na Nigéria aumenta preocupação com avanço regional da epidemia na África · operamundi.uol.com.br


