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Estudo: Atividades humanas são principal causa de emissões de CO2 na Amazônia

22 de outubro de 2026
Estudo: Atividades humanas são principal causa de emissões de CO2 na Amazônia

Destaques

  • •Pesquisa de 15 anos aponta desmatamento e queimadas como maiores emissores de CO2 na Amazônia.
  • •Anos com maior atividade humana registraram emissões de até 1,80 bilhão de toneladas de CO2 anualmente.
  • •Redução de incêndios e desmatamento é considerada essencial para evitar ponto de inflexão na floresta.

Um estudo de 15 anos, liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelou que as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e monóxido de carbono (CO) na Amazônia são predominantemente causadas por atividades humanas, como desmatamento e queimadas. Os dados coletados entre 2010 e 2024 foram classificados em três grupos, considerando condições climáticas e intensidade das ações humanas.

O Grupo 1, com anos mais úmidos e baixa atividade humana, registrou emissões médias de 408 milhões de toneladas de CO₂ por ano. O Grupo 2, caracterizado por baixo estresse climático e intensificação das atividades humanas (desmatamento e degradação), emitiu em média 1,58 bilhão de toneladas anuais. Já o Grupo 3, que abrange anos quentes e secos com alto estresse climático e intensificação das atividades humanas, alcançou 1,80 bilhão de toneladas de CO₂ ao ano.

Atividades humanas dominam emissões

A pesquisa demonstrou uma correlação direta entre a intensidade das atividades humanas, como desmatamento e queima de biomassa, e o aumento das emissões de carbono. Os cientistas destacam que os grupos 2 e 3 não apresentaram diferenças significativas nas emissões de carbono, pois ambos foram dominados pelo desmatamento e pela queima de biomassa, respectivamente.

Embora o estresse climático não seja o fator decisivo para o aumento das emissões, secas podem amplificar o volume de carbono liberado pelas atividades humanas. A publicação na revista científica Nature, intitulada "Emissões de Carbono da Amazônia Causadas pelas Ações Humanas e Amplificadas pelas Secas", é a quarta pesquisa de Luciana Gatti no periódico.

Mudanças climáticas e riscos futuros

Uma análise ampliada de 46 anos sobre as condições climáticas e a atividade humana na Amazônia indicou uma redução de 8% na média anual de precipitação e de 20% no volume máximo de chuvas na estação seca. Paralelamente, a temperatura média anual aumentou 1,13 °C, e na estação seca, a elevação foi de 1,81 °C. Esse aquecimento ocorreu mesmo sem variação na energia solar recebida e devolvida à atmosfera, reforçando que as atividades humanas diretas são os principais riscos para a floresta.

Os pesquisadores alertam que a redução drástica de incêndios é crucial para evitar um ponto de inflexão na Amazônia. O aumento do estresse climático e as ações humanas se retroalimentam, amplificando os impactos negativos sobre o ecossistema.

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