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Idosos com voto facultativo buscam aumentar participação eleitoral

21 de outubro de 2026
Idosos com voto facultativo buscam aumentar participação eleitoral

Destaques

  • •Eleitores com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo, têm buscado ativamente aumentar sua participação nas eleições.
  • •A abstenção nessa faixa etária caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno de 2026, passando de 58,8% para 49,1%.
  • •O movimento Voto 70+ e campanhas como 'Vovó Vota' incentivam a participação, destacando a importância do voto para a manutenção de direitos e a democracia.

Apesar de o voto ser facultativo para brasileiros com mais de 70 anos, muitos idosos estão se mobilizando para garantir sua participação nas eleições, impulsionados pela importância histórica do sufrágio e pela busca por direitos. Exemplos como Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, no Maranhão, que percorre distâncias para conscientizar outras quebradeiras de coco sobre a importância de votar, e Maria Albino Costa, de 85 anos, em Goiás, que decidiu votar no segundo turno após não ter comparecido no primeiro, ilustram esse engajamento.

Esses eleitores, que representam cerca de 16 milhões de pessoas (10,6% do eleitorado), têm um histórico de alta abstenção desde que o voto se tornou facultativo para essa faixa etária com a Constituição de 1988. No entanto, dados do Movimento Voto 70+ indicam uma queda significativa na abstenção: o percentual de eleitores com mais de 70 anos que não votaram caiu de 58,8% no primeiro turno de 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026. O movimento também promove a campanha 'Vovó Vota', incentivando a participação familiar e lembrando que mesmo quem não votou no primeiro turno pode participar do segundo.

Motivações e Lutas Históricas

As motivações para votar variam, mas o orgulho pela cidadania e a defesa de direitos são temas recorrentes. Maria Alaídes, por exemplo, vê o voto como essencial para a manutenção de direitos e da democracia, além de ser crucial para o enfrentamento das mudanças climáticas que afetam sua atividade como quebradeira de coco. Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, ressalta que o direito ao voto permitiu que ela lutasse pela educação de seus filhos e espera que a eleição garanta o acesso a itens básicos como remédios e alimentos.

Outros idosos, como Maria José Cantarelli, de 80 anos, em Pernambuco, que deixou de votar por 12 anos, sentiram a necessidade de retornar às urnas devido ao clima político e à importância de garantir seus direitos. A aposentada Suely Mendonça, de 79 anos, no Rio de Janeiro, se emociona ao votar, sentindo-se participante da vida do país e lembrando das dificuldades enfrentadas durante a ditadura militar, quando a censura e a falta de liberdade eram presentes.

Desafios e Garantias no Voto

Apesar do desejo de participar, alguns idosos enfrentam dificuldades práticas. Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, no Rio de Janeiro, relatou longas filas no primeiro turno, enquanto Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, em São Paulo, precisou de ajuda para subir escadas em seu local de votação. Para garantir a acessibilidade e a autonomia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina atendimento prioritário para idosos e medidas de acessibilidade nos locais de votação.

A professora Sandra Oliveira, filha de Maria Albino Costa, destaca o orgulho pela trajetória da mãe e utiliza suas histórias em aulas para combater manifestações machistas contra o voto feminino, reforçando a importância de garantir o espaço das mulheres. A decisão de votar, para muitos, é um ato de resistência e um legado para as futuras gerações, que inclui filhos, netos, bisnetos e tataranetos.

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