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Ibovespa opera em queda com receio fiscal; dólar sobe

30 de outubro de 2026
Ibovespa opera em queda com receio fiscal; dólar sobe

Destaques

  • •Taxa de desemprego cai para 5,2%, menor nível desde 2012, mas preocupações fiscais persistem.
  • •Mercado aguarda definições sobre a futura equipe econômica e a política fiscal do governo Lula.
  • •Cenário externo adverso e balanços corporativos frustram investidores globais e locais.

O dólar abriu em alta e o Ibovespa operava em queda nesta sexta-feira (30), refletindo um cenário de incertezas fiscais domésticas e um ambiente externo adverso. A cautela dos investidores é motivada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela expectativa por definições sobre a futura equipe econômica e a política fiscal do governo. Novos dados de emprego e indicadores americanos também movimentam o mercado.

Desemprego em queda, mas preocupações fiscais persistem

A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,2% no terceiro trimestre, o menor patamar para o período desde 2012, segundo o IBGE. Apesar do dado positivo, o mercado financeiro segue atento à necessidade de ajuste nas contas públicas. O déficit nominal do setor público consolidado em 12 meses até setembro foi de R$ 1,275 trilhão, ou 9,51% do PIB, o que reforça a preocupação com a trajetória da dívida.

A necessidade de um ajuste fiscal é vista como fundamental para o controle da inflação e a redução sustentável dos juros. Investidores e empresários pressionam por clareza sobre as medidas que o governo pretende adotar para equilibrar as contas públicas.

Mercado aguarda sinalizações sobre a política econômica

A reeleição de Lula gerou surpresa no mercado, que agora aguarda indicações sobre os nomes que ocuparão as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, e os rumos da política econômica a partir de 2027. A escolha do ministro da Fazenda, que não deve ocorrer antes de dezembro, é vista como crucial para dar o tom sobre o futuro das contas públicas.

As taxas dos DIs (Depósito Interfinanceiro) voltaram a subir, refletindo a percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas e o impacto no câmbio, na curva de juros e nas expectativas de inflação. A probabilidade de manutenção da taxa Selic na próxima reunião do Banco Central aumentou significativamente.

Cenário externo e outros indicadores

No cenário internacional, os mercados operam com aversão a risco, influenciados pela proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA e por balanços corporativos de grandes empresas de tecnologia que vieram abaixo das expectativas. Os preços do petróleo operam em alta, impulsionados por ataques a navios no Estreito de Ormuz e à Arábia Saudita, o que pressiona o humor dos agentes financeiros.

A reforma tributária também segue no radar, com o TCU aprovando uma proposta para a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 11,3% em 2027. O valor será encaminhado ao Congresso Nacional.

O Ibovespa acumula queda de 17,5% na semana e pode registrar o maior recuo semanal da série histórica, superando a queda de 15,6% em março de 2020. Em Nova York, as bolsas recuavam, com o EWZ, principal ETF de ações brasileiras, diminuindo a queda. Economistas alertam para a incerteza fiscal e a ausência de um plano crível, o que pode levar a juros mais altos e impactar o câmbio.

A temporada de balanços corporativos também afeta o mercado, com resultados de empresas como Amazon e Intel frustrando expectativas. A Usiminas apresentou lucro líquido no terceiro trimestre, revertendo prejuízo, mas suas ações caíam. A Vale teve queda de lucro, mas seus papéis subiam. A Petrobras confirmou descoberta de petróleo e negou reajustes em combustíveis, com suas ações em alta.

Analistas veem oportunidades de médio prazo na bolsa, com ações de setores regulados (saneamento, energia) e exportadoras como Petrobras e Vale. Companhias pagadoras de dividendos também são destacadas. O Ibovespa negocia a um preço sobre lucro (P/L) de 7,9 vezes, abaixo da média histórica, indicando que a bolsa pode estar barata. No entanto, riscos macroeconômicos e incertezas fiscais podem pressionar o índice no curto prazo.

O BTG Pactual (BPAC11) teve recomendação cortada pelo Itaú BBA, com preço-alvo reduzido. O banco é visto como de alta qualidade, mas com menor espaço para valorização adicional devido ao cenário para 2027, que pode trazer dificuldades para o crescimento dos negócios, com atividade econômica e confiança enfraquecidas, juros e inflação elevados. A maior participação do crédito nos resultados do BTG também é um ponto de atenção.

Investidores estrangeiros têm deixado a B3, com o saldo no mês caindo significativamente após a eleição. A definição do ministro da Fazenda e ações concretas sobre a política fiscal são cruciais para reverter a tendência de venda de ativos brasileiros. A autonomia do Banco Central e um discurso afinado sobre a política econômica também são vitais.

O mercado aguarda a eleição de meio de mandato nos EUA e a reunião do Copom no Brasil. A eleição americana pode impactar a capacidade de Donald Trump aprovar propostas. O Federal Reserve (Fed) pode aumentar juros em dezembro. No Brasil, o Copom decidirá sobre a Selic, em um cenário de reprecificação de ativos. O Tesouro Nacional tem recomprado títulos federais para dar liquidez ao mercado.

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