IA nas empresas: 89% veem baixo retorno de investimentos em tecnologia

Destaques
- •Pesquisa da PwC revela que a maioria das empresas investe em IA, mas enfrenta dificuldades para converter esses investimentos em resultados concretos.
- •Complexidade de integração, problemas com dados e dificuldades de adoção pelos usuários são os principais obstáculos citados pelos líderes de operações.
- •A capacidade de integrar IA, dados e operações à estratégia do negócio é crucial para capturar valor, segundo especialistas da PwC.
Apesar da ampla adoção da inteligência artificial (IA) nas operações, a maioria das empresas ainda luta para transformar essa presença em resultados concretos. Uma pesquisa da PwC, divulgada nesta quarta-feira (28), aponta que 89% dos líderes de operações e cadeia de suprimentos entrevistados admitem que os investimentos em tecnologia ainda não entregaram todo o potencial esperado.
O levantamento, que ouviu mais de 700 executivos nos Estados Unidos em diversos setores, indica que o retorno dos investimentos digitais depende fundamentalmente da capacidade de conectar IA, dados e operações à estratégia do negócio. A pesquisa destaca que 85% dos líderes se consideram à frente dos concorrentes em transformação digital, mas a discrepância entre percepção e resultado é um ponto de atenção.
Obstáculos na conversão de investimentos em valor
Os principais entraves para que os investimentos em tecnologia gerem o retorno desejado são a complexidade de integração de sistemas, citada por 52% dos entrevistados, seguida por problemas com a qualidade e gestão dos dados (46%) e dificuldades na adoção das novas ferramentas pelos usuários (43%).
A qualidade dos dados, em particular, é um gargalo estrutural. Para 87% dos executivos, a má qualidade das informações impacta diretamente a geração de valor das iniciativas digitais. Contudo, apenas 30% relatam melhora significativa na qualidade e confiabilidade dos dados nos últimos anos.
A pesquisa sugere que a busca pela perfeição dos dados não deve ser um impeditivo. 89% dos entrevistados consideram mais importante ter informações capazes de orientar decisões do que dados completos, e 73% afirmam que a perfeição dos dados não é um requisito para gerar valor.
IA e a reconfiguração competitiva
Ferramentas de dados baseadas em IA e cloud (nuvem) têm o potencial de reconfigurar a dinâmica competitiva. 93% dos entrevistados acreditam que essas tecnologias ajudam empresas menores a alcançar paridade com líderes digitais. Outros 91% concordam que tecnologias emergentes permitem que organizações de diferentes níveis de maturidade ultrapassem líderes de seus setores.
A transformação digital também impulsiona mudanças na estrutura organizacional. 83% dos entrevistados preveem que agentes de IA e automação aceleram o rompimento de barreiras entre funções tradicionais. Empresas com estruturas mais horizontais e em rede, que somam apenas 41% atualmente, demonstram maiores capacidades digitais integradas de ponta a ponta (61% contra 21% nas verticais) e maior uso ativo de IA para gestão de dados (87% contra 65%).
O perfil das empresas líderes em transformação digital
Apenas 4% das empresas pesquisadas reúnem as quatro características de líderes em transformação digital: estratégia de IA totalmente incorporada, investimentos em tecnologia operacional que entregam resultados, ausência de barreiras à adoção de agentes autônomos e estrutura organizacional colaborativa. Este grupo se destaca em indicadores como integração de capacidades digitais (87%), mensuração de impactos operacionais e financeiros (83%) e uso de IA em pesquisa e desenvolvimento (74%).
“O que diferencia as empresas mais avançadas é a capacidade de conectar tecnologia à operação e acompanhar o valor gerado”, afirma Rodrigo Damiano, sócio da PwC Brasil. Ele ressalta que a próxima fronteira está em fazer com que IA, dados e pessoas trabalhem de forma integrada para gerar resultados sustentáveis.
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