Hubble detecta "cauda de gato" cósmica formada por colisão de corpos do tamanho de Plutão

Destaques
- •Astrônomos identificaram uma estrutura ondulada, apelidada de "cauda de gato", no disco de detritos de Beta Pictoris.
- •Acredita-se que a "cauda" seja o resultado de uma colisão entre dois corpos celestes com o tamanho de Plutão.
- •O estudo sugere que planetas gigantes no sistema influenciam a poeira e corpos gelados em seu entorno.
O telescópio Hubble revelou uma estrutura incomum em Beta Pictoris, um disco de detritos planetários localizado a mais de 60 anos-luz da Terra. A formação, apelidada de "cauda de gato" por sua aparência ondulada, é interpretada pelos astrônomos como o vestígio de uma colisão entre dois corpos celestes com o tamanho aproximado de Plutão.
A "cauda" cósmica é colossal, com um tamanho estimado que permitiria dar 500 voltas ao redor do nosso Sistema Solar. Em contraste com o Sistema Solar, que tem cerca de 4,6 bilhões de anos, Beta Pictoris é um sistema jovem, com no máximo alguns milhões de anos, o que explica a ocorrência de colisões entre corpos planetários em andamento.
O que a pesquisa revela sobre a "cauda de gato"
Ao comparar Beta Pictoris com o nosso Sistema Solar, observa-se que a vizinhança cósmica terrestre é mais organizada, com planetas orbitando o Sol em faixas distintas, como o Cinturão de Asteroides e o Cinturão de Kuiper. Estudar sistemas jovens como Beta Pictoris é uma forma de compreender o passado do nosso próprio sistema.
O sistema Beta Pictoris é composto por longas cadeias de átomos de carbono que absorvem a luz, conferindo-lhe uma cor escura. Pesquisadores identificaram uma distorção aparente na "cauda", possivelmente resultado de interações entre a trilha de matéria e um dos planetas do sistema.
Influência planetária e próximos passos
"Isso nos dá mais uma linha de evidência sobre como os planetas gigantes influenciam os cometas por meio de sua imensa força gravitacional", afirmou Arin Avsar, autor principal do estudo. Ele destacou que a descoberta comprova a influência profunda que planetas massivos exercem sobre a poeira e corpos gelados em um raio de centenas de unidades astronômicas.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. A pesquisa utilizou dados do telescópio Hubble, combinando seis épocas de observações entre 2012 e 2025. Análises de injeção e recuperação indicaram que a componente de luz espalhada da "cauda de gato" possui um fluxo total de 0,1% a 0,4% do fluxo observado pelo JWST/MIRI.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na The Astrophysical Journal Letters, utilizando dados do Hubble, investigou a componente de luz espalhada da estrutura conhecida como "cauda de gato" em Beta Pictoris. A pesquisa detectou o disco a uma separação projetada de até 500 au, com uma relação sinal-ruído (SNR) superior a 100 na maior parte do plano médio entre 50 e 200 au.
O estudo confirmou a detecção da componente de luz espalhada da "cauda de gato" no espectro visível/próximo-infravermelho. A análise indicou que os grãos que compõem essa estrutura são altamente porosos e compostos quase inteiramente de material refratário orgânico, corroborando descobertas anteriores feitas com o JWST/MIRI. A partir dessas propriedades, os pesquisadores estimaram que os corpos progenitores que colidiram para formar a "cauda" precisavam ter uma massa de pelo menos 1 a 3 × 10^21 kg, comparável à de planetas anões como Caronte e Makemake.
Pesquisa citada
- Deep HST/STIS Coronagraphic Imaging of the
<i>β</i>
Pictoris Debris Disk: On the Scattered Light Component of the Cat’s Tail
The Astrophysical Journal Letters · 2026



