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Haiti denuncia El Salvador à ONU por ataques a civis com armamento pesado

01 de novembro de 2026
Haiti denuncia El Salvador à ONU por ataques a civis com armamento pesado

Destaques

  • •Organização civil haitiana acusa tropas de El Salvador de bombardeios em bairros povoados.
  • •Presidente Nayib Bukele nega as acusações, afirmando que suas tropas não possuem bombas e helicópteros chegaram após o período denunciado.
  • •A denúncia ocorre em meio a uma grave crise de segurança no Haiti e ao envio de mais de 2 mil militares salvadorenhos para a região.

Uma organização da sociedade civil haitiana, a Associação das Nações Unidas-Haiti (UNA-Haiti), denunciou formalmente às Nações Unidas que tropas de El Salvador, enviadas ao país pelo presidente Nayib Bukele, realizaram bombardeios e ataques com armamentos pesados contra bairros civis. A denúncia foi encaminhada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na sexta-feira (30/10), e detalha operações em áreas densamente povoadas nos arredores de Porto Príncipe, como Croix-des-Bouquets, Canaan e Plaine du Cul-de-Sac. A entidade pede a abertura de uma investigação sobre possíveis mortes de civis, incluindo crianças, em ataques que teriam começado em 22 de outubro, envolvendo bombardeios aéreos, helicópteros armados e armas pesadas.

Rejeição das acusações por Nayib Bukele

O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, rejeitou veementemente as acusações. Em uma publicação na rede social X no sábado (31/10), ele afirmou que as tropas de seu país não dispõem de bombas. Além disso, Bukele declarou que os helicópteros de ataque só chegaram ao Haiti na quinta-feira (29/10), após o período indicado na denúncia, e ainda não haviam realizado operações de voo. A UNA-Haiti, embora ligada à diáspora, não integra formalmente o sistema da ONU.

Contexto da mobilização militar salvadorenha

A mobilização militar de El Salvador para o Haiti começou após o desaparecimento de quatro técnicos de aviação salvadorenhos, integrantes da Força de Supressão de Gangues (GSF), em 18 de outubro. Eles foram vítimas de uma emboscada de grupos armados enquanto retornavam a uma base nas proximidades de Porto Príncipe. O veículo em que estavam foi atacado com armas de fogo e explosivos, e os técnicos, apesar de terem conseguido sair, não foram mais localizados. As autoridades haitianas confirmaram o desaparecimento.

Em resposta, o presidente Bukele anunciou uma operação militar para localizar e resgatar os compatriotas. Inicialmente, o governo salvadorenho enviou forças especiais, mas o contingente foi ampliado nos dias seguintes. Segundo a agência Reuters, cerca de 2 mil militares já haviam sido deslocados ao Haiti até 29 de outubro, com a previsão de que o total chegasse a 2,5 mil. O presidente salvadorenho informou que seu país arca com aproximadamente 90% dos custos dessa operação, mas a dimensão do contingente, a duração da missão e as regras de engajamento não foram detalhadas publicamente.

Apoio de Trump e a crise no Haiti

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio político à iniciativa de Bukele. Segundo reportagem do portal Axios, Bukele teria consultado Trump antes de avançar com a mobilização, e o ex-presidente teria respondido: “faça o que tiver de fazer”. A reportagem sugere que Bukele propôs que El Salvador atuasse como uma força substituta dos EUA no Haiti, mas essa proposta não teria recebido apoio do secretário de Estado americano. Trump reiterou seu apoio em declarações posteriores, afirmando ter conversado com Bukele sobre a gravidade da situação no Haiti.

O Haiti enfrenta uma crise de segurança prolongada, com grupos armados controlando extensas áreas da capital e de outras regiões. A violência tem causado deslocamentos em massa, assassinatos, sequestros e restrições ao acesso a serviços essenciais. Dados da ONU indicam que mais de 5.700 pessoas foram mortas ou feridas no país entre janeiro e meados de setembro de 2026, vítimas tanto da violência de grupos armados quanto de operações de segurança.

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