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Grupo México desiste de privatização da Belgrano Cargas na Argentina

21 de outubro de 2026
Grupo México desiste de privatização da Belgrano Cargas na Argentina

Destaques

  • •Conglomerado mexicano do bilionário Germán Larrea não apresentará proposta pela rede ferroviária de cargas argentina.
  • •Decisão representa revés para privatizações de Javier Milei, que insiste em modelo de 'acesso aberto' para ferrovias.
  • •Consórcio liderado por Cargill e Bunge Global é o principal concorrente restante.

O Grupo México, conglomerado do bilionário mexicano Germán Larrea, desistiu nesta quarta-feira (data não especificada nos textos) de apresentar uma proposta para a privatização da rede ferroviária de cargas da Argentina, a Belgrano Cargas. A decisão representa um revés para os planos do presidente Javier Milei de atrair investimentos por meio de privatizações e modernizar a infraestrutura do país.

A companhia mexicana, que havia recebido apoio dos Estados Unidos e reunido parceiros para tornar sua oferta mais atraente, não conseguiu convencer as autoridades argentinas a reconsiderar o modelo ferroviário proposto. O principal impasse foi a insistência do governo Milei em manter um modelo de "acesso aberto", pelo qual diversas empresas de transporte de carga poderiam operar nos mesmos trilhos. O Grupo México, assim como empresas ferroviárias nos EUA, México e Brasil, opera sob um sistema de integração vertical, onde uma única companhia controla infraestrutura, trens e operações.

O modelo ferroviário em disputa

A lei argentina de 2015 determina que o transporte ferroviário de cargas deve funcionar sob o regime de acesso aberto caso seja privatizado. O governo Milei defende essa filosofia liberal de livre mercado, que promove a concorrência, e não pretende revogar a lei. "A lei de acesso aberto foi mantida porque está totalmente alinhada aos princípios e valores deste governo. É uma lei que promove a concorrência", afirmou Alejandro Nuñez, chefe da Belgrano Cargas, em abril.

Em contrapartida, o Grupo México considerava o modelo inaceitável para fechar o negócio. Em abril, Fernando Lopez Guerra, presidente-executivo da divisão de transportes do Grupo México, afirmou que "se não houver uma mudança radical na forma como pretendem realizar a licitação, não apresentaremos proposta". Na ocasião, ele havia se comprometido a investir inicialmente US$ 3 bilhões para recuperar a malha ferroviária argentina, que possui cerca de 14 mil quilômetros, mas apenas 7,6 mil estão operacionais devido a décadas de falta de manutenção.

Quem mais disputa a Belgrano Cargas?

Com a desistência do Grupo México, o principal concorrente restante é um consórcio que reúne uma operadora ferroviária argentina e outro grupo de exportadores de grãos, liderado pela Cargill e pela Bunge Global. Os investimentos na Belgrano Cargas se qualificariam para o programa RIGI (Régimen de Incentivo para Grandes Inversiones), principal iniciativa de atração de investidores de Milei, que oferece incentivos fiscais e garantias jurídicas.

O Grupo México buscou apoio do Departamento de Comércio americano e se associou à Wabtec, sediada em Pittsburgh, para reforçar seu lobby em Washington. A desistência ocorre após um processo que se arrasta há cerca de dois anos, com o governo anunciando a privatização em outubro de 2024 e publicando a convocação formal para propostas em agosto.

Outras privatizações em curso

A privatização da Belgrano Cargas faz parte de um esforço mais amplo do governo Milei para modernizar a infraestrutura de transporte da Argentina. Entre outras iniciativas está uma licitação de US$ 10 bilhões para dragagem e aprofundamento do rio Paraná. Nessa licitação, a empresa belga DEME Group se associou à americana Great Lakes Dredge & Dock Corp., que também buscou apoio dos EUA, mas perdeu para a concorrente belga Jan de Nul.

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