Governo Lula avalia mudanças em comandos do Banco do Brasil e Caixa

Destaques
- •O governo Luiz Inácio Lula da Silva estuda alterações na presidência do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para o próximo mandato.
- •Quedas nos lucros e aumento da inadimplência motivam a possível troca de Tarciana Medeiros no BB e Carlos Vieira na Caixa.
- •A manutenção de Magda Chambriard na Petrobras é sinalizada, contrastando com a intenção de renovação da gestão.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia mudanças nos comandos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para o início de seu próximo mandato. Na Petrobras, a atual presidente, Magda Chambriard, deve ser mantida no cargo, segundo interlocutores da administração petista.
A substituição da atual presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, é considerada quase certa. Internamente, nomes como Francisco Lassalvia, Gilson Bittencourt e Marco Geovanne Tobias da Silva, todos vice-presidentes do banco, são cogitados. A leitura é de que a escolha visa acenar aos servidores de carreira e ajustar o mercado com uma "correção de rumo". Outro nome mencionado é o do atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem evitado discutir seu futuro após o fim do ano.
Resultados e pressões no Banco do Brasil
A possível saída de Tarciana Medeiros do Banco do Brasil é motivada, em parte, pelos resultados financeiros recentes. Em 2025, o lucro do banco caiu 45,4% em relação a 2024, totalizando R$ 20,7 bilhões. No primeiro semestre deste ano, o lucro foi de R$ 7,3 bilhões, uma queda de 34% comparado ao mesmo período do ano anterior.
Essa redução nos lucros impactou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) dos funcionários, gerando insatisfação. Além disso, o setor privado tem exercido pressão pela saída da presidente, avaliando que a gestão de Medeiros foi desgastada pela fraqueza nos resultados. O banco tem enfrentado um aumento na inadimplência, especialmente no agronegócio, sua maior carteira, devido a juros elevados e volatilidade nos preços das commodities.
Medeiros também foi cobrada por Lula e pelo ministro Guilherme Boulos sobre o baixo desembolso nas linhas de crédito do Move Brasil, programa voltado para motoristas de aplicativo. A renúncia da vice-presidente de Negócios de Varejo, Carla Nesi, nesta quarta-feira (28), é vista internamente como um sinal de futuras mudanças.
Desafios e indicações na Caixa Econômica Federal
Na Caixa Econômica Federal, a tendência também aponta para a substituição do presidente Carlos Vieira, indicado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira. A Caixa é cobiçada pelo Centrão devido à sua capilaridade e ao papel no financiamento de programas sociais.
O banco público também apresenta resultados abaixo do esperado. No primeiro semestre deste ano, o lucro líquido foi de R$ 7,4 bilhões, uma queda de 17,6% em relação ao ano anterior. Apesar disso, a instituição expandiu o financiamento imobiliário, com carteira acima de R$ 1 trilhão, e lidera o crédito do Minha Casa, Minha Vida. A inadimplência na carteira de crédito rural atingiu 20,74% no segundo trimestre, ante 7,02% no mesmo período de 2025.
Um episódio que desgastou a relação entre Vieira e Lula foi a confirmação de que a Caixa lançaria uma bet (aposta online), o que irritou o presidente. Apesar do desentendimento, Vieira manteve o cargo e a boa relação com o presidente.
Petrobras: manutenção e novas descobertas
Na Petrobras, a manutenção de Magda Chambriard sinaliza uma continuidade, apesar da intenção do governo de dar uma "cara nova" ao chamado "Lula 4". Lula tem elogiado publicamente o trabalho de Chambriard, especialmente após a descoberta de petróleo na Margem Equatorial, e a chamou de "Rainha do Brasil".
Nesta quinta-feira (29), a Petrobras anunciou mais uma descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, a terceira no local neste ano. A manutenção de Chambriard contrasta com o desejo de Lula de apresentar um "frescor" em seu último governo, montando uma equipe com novos nomes e evitando "figurinhas repetidas" de mandatos anteriores.



