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Governo envia PEC para financiar tarifa zero no transporte público com emendas parlamentares

21 de outubro de 2026
Governo envia PEC para financiar tarifa zero no transporte público com emendas parlamentares

Destaques

  • •Proposta de Emenda à Constituição destina no mínimo 26,8% das emendas parlamentares impositivas para custear a gratuidade do transporte público.
  • •A medida, que visa financiar a tarifa zero aos fins de semana e feriados, tem potencial para R$ 11,2 bilhões em 2027 e é considerada fiscalmente neutra.
  • •O governo busca aprovar a PEC ainda este ano no Congresso Nacional, com implementação gradual a partir de 2027.

O governo federal enviou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que destina recursos de emendas parlamentares impositivas para o custeio da gratuidade dos serviços de transporte público coletivo urbano. A iniciativa tem o potencial de financiar a tarifa zero aos fins de semana e feriados em todo o país.

A proposta estabelece que, no mínimo, 26,8% do montante global anual das programações de execução obrigatória provenientes de emendas parlamentares individuais e de bancada sejam direcionados para o custeio da gratuidade do transporte coletivo. A medida preserva recursos para a saúde e prevê a transferência obrigatória aos entes federados responsáveis pelos serviços.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a PEC será financiada por uma qualificação das emendas parlamentares impositivas, correspondendo a um total de cerca de R$ 12 bilhões em 2027. Segundo ele, a iniciativa será fiscalmente neutra, pois os recursos já estão previstos dentro do montante de emendas impositivas estabelecido na Constituição Federal, sem implicar aumento da despesa primária.

Financiamento e impacto financeiro

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê R$ 44,8 bilhões em emendas parlamentares de execução obrigatória. Com a nova regra, aproximadamente R$ 11,2 bilhões seriam destinados ao custeio da gratuidade do transporte público coletivo. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) detalhou que esse montante tem potencial para financiar a tarifa zero aos fins de semana e feriados.

A proposta busca ampliar o acesso da população ao trabalho, serviços públicos, cultura e lazer, reduzindo as barreiras impostas pelo custo das tarifas. A Secom destacou a importância da gratuidade para o direito de trabalhadores ao lazer, convívio familiar e saúde, especialmente após a aprovação do fim da escala 6x1.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assinou a PEC, avaliou a gratuidade como uma "obsessão" de muitos, incluindo movimentos sociais. Ele mencionou a realização de um teste e a possibilidade de estender a gratuidade, caso dê certo, conectando a medida ao direito dos trabalhadores a dois dias de descanso no final de semana.

Próximos passos e implementação

Segundo a Secom, os dispositivos relativos à destinação dos recursos produzirão efeitos a partir da Lei Orçamentária Anual de 2027. A implementação será gradual e dependerá da adesão das prefeituras, com previsão de início nos ônibus municipais, sem excluir outros modais como trens e metrôs.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que o partido construirá o "tempo político" para que a proposta seja votada ainda este ano. O governo deseja que a PEC seja aprovada rapidamente, sem adiamentos.

A gratuidade do transporte público já esteve no radar da campanha petista e era avaliada como uma medida para um possível quarto mandato de Lula, apesar de ter ficado de fora do plano de governo. Um estudo da UnB e UFRJ estimou que a gratuidade nas 27 capitais brasileiras injetaria R$ 60,3 bilhões por ano na economia, com impacto semelhante ao do Bolsa Família.

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