Goldman Sachs: Petrobras pode reajustar diesel em 50% após eleições

Destaques
- •Analistas do Goldman Sachs estimam que a Petrobras pode aumentar o preço do diesel em até 50% após o segundo turno das eleições presidenciais.
- •A defasagem entre o preço atual e a paridade internacional, somada à assimetria de subsídios, aponta para um reajuste significativo.
- •O aumento pode impactar a inflação e beneficiar empresas de logística como a Rumo, enquanto distribuidoras como Vibra e Ultrapar podem ser prejudicadas.
Analistas do Goldman Sachs alertam que a Petrobras (PETR3; PETR4) pode promover um forte reajuste no preço do diesel após o segundo turno das eleições presidenciais. A defasagem entre o preço praticado pela estatal e as cotações internacionais, combinada com uma assimetria nos subsídios que favorece o diesel importado, aponta para uma possível alta de até 50% no combustível. Atualmente, o preço realizado pela Petrobras estaria cerca de 21% abaixo da paridade internacional.
O relatório do banco estima que, caso a assimetria de subsídios termine após as eleições (incentivos adicionais para importadores de diesel, válidos até meados de novembro, devem expirar), a Petrobras teria que elevar os preços em aproximadamente R$ 1,50 por litro para se igualar à paridade internacional. O preço atual do diesel pela companhia é de R$ 5,43 por litro, enquanto a paridade de importação está próxima de R$ 6,89 por litro. O Goldman Sachs, no entanto, não incorpora esse reajuste em seu cenário-base devido à incerteza sobre a continuidade dos subsídios, mas reconhece que um aumento representa um risco positivo para as margens de refino da Petrobras no quarto trimestre.
Impacto na cadeia de combustíveis e no mercado
Uma eventual alta no preço do diesel pela Petrobras teria efeitos mistos na cadeia de combustíveis. Distribuidoras como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), que obtêm parte relevante do diesel de refinarias locais, poderiam ser prejudicadas. O Goldman Sachs manteve recomendação neutra para ambas, argumentando que o setor já opera próximo do pico de rentabilidade e com múltiplos pouco atrativos. Contudo, os papéis dessas empresas tiveram desempenho inferior ao mercado desde o primeiro turno das eleições, com Vibra recuando 4% e Ultrapar avançando apenas 4%, enquanto o Ibovespa subiu cerca de 7%.
Por outro lado, a operadora ferroviária Rumo (RAIL3) é citada como uma possível beneficiária indireta. O aumento dos custos logísticos decorrentes de um diesel mais caro poderia impulsionar alternativas ao transporte rodoviário.
Subsídios e o adiamento da decisão de preços
A política atual de subsídios para o diesel, implementada desde a escalada do conflito no Oriente Médio, reduz a pressão por um aumento imediato nos preços da Petrobras. Produtores locais recebem um subsídio de R$ 2,12 por litro, enquanto importadores contam com um incentivo maior, de R$ 3,52 por litro. Essa diferença permite que importadores ofereçam o produto a preços competitivos, limitando a capacidade da Petrobras de reajustar seus preços sem perder participação de mercado.
Diante desse cenário, o banco avalia que qualquer decisão relevante sobre preços provavelmente será adiada para depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A expectativa é que a Petrobras mantenha os preços inalterados até o fim do ano, aguardando definições sobre a política de subsídios e o cenário político.
Implicações macroeconômicas e cenário extremo
Um reajuste de 50% no preço do diesel cobrado pela Petrobras às distribuidoras poderia levar a um aumento de cerca de 20% nos preços nas bombas. O impacto direto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seria relativamente pequeno, estimado entre 5 e 6 pontos-base. No entanto, os efeitos indiretos, devido ao diesel ser um insumo crucial para o transporte de cargas, poderiam elevar os custos logísticos e se espalhar pela economia.
O Goldman Sachs estima um impacto indireto de 16 a 18 pontos-base, elevando o efeito total sobre a inflação para algo entre 21 e 24 pontos-base. Em um cenário mais agressivo, onde todos os subsídios fossem eliminados, os preços nas bombas poderiam subir cerca de R$ 1,80 por litro, levando o diesel da faixa atual de R$ 7,34 para algo entre R$ 9 e R$ 10 por litro.



