Fundos de pensão planejam aumentar investimento em ações e exterior

Destaques
- •Entidades fechadas de previdência complementar planejam ampliar a alocação em renda variável nos próximos três anos, buscando maior rentabilidade.
- •Investimentos no exterior lideram as intenções de aumento de exposição, impulsionados pela diversificação e baixa correlação com o mercado local.
- •A retomada mais expressiva em ativos de maior risco depende de uma mudança estrutural no cenário de juros, com previsibilidade de taxas mais baixas por um período prolongado.
Os fundos de pensão no Brasil planejam um aumento significativo em suas carteiras de ações nos próximos três anos, buscando reverter a forte queda observada desde 2013, quando a renda variável representava 34% dos ativos e hoje se encontra em 4,7%. A intenção de ampliar a exposição a ações é de 26 pontos percentuais (pp) no horizonte de três anos, segundo o levantamento Raio-X de Investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) 2026, divulgado pela Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) em parceria com a Itajubá Investimentos.
O estudo, apresentado em congresso em São Paulo, abrange entidades com R$ 461 bilhões em ativos, aproximadamente um terço do sistema. Em dezembro de 2025, a renda fixa dominava 86% dos ativos, com grande parte em títulos públicos, especialmente NTN-Bs (Tesouro IPCA+). A gestão passiva e indexada dentro da renda variável mais que dobrou sua participação.
Por que a concentração em renda fixa?
Segundo João Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, a concentração em renda fixa se deve aos juros reais elevados e à maturidade do sistema de previdência. "Os juros reais elevados ofereceram uma excelente oportunidade para que os fundos de pensão adquirissem títulos públicos indexados à inflação, com rentabilidade superior aos seus compromissos atuariais", explicou.
Ele também destacou que o sistema de previdência está em uma fase onde o pagamento de benefícios supera o ingresso de contribuições. "Isso reforça a necessidade de investimentos com maior estabilidade e menor volatilidade", acrescentou Ferreira.
Investimentos no exterior lideram intenções
Apesar do planejamento de aumentar a fatia em ações, os investimentos no exterior lideram as intenções de aumento de exposição para os próximos 12 e 36 meses. Carlos Garcia, sócio-fundador da Itajubá, observou que a presença do exterior nas políticas de investimento saltou de metade em 2013 para 84% em 2026, com mandatos globais ganhando espaço sobre os focados nos Estados Unidos.
Os principais motivos para investir fora do país são a diversificação e a baixa correlação com o mercado brasileiro. Na outra ponta, imóveis e Fundos de Investimento em Participações (FIPs) concentram as maiores intenções de redução de exposição.
Próximos passos e cenário de juros
Uma retomada mais expressiva em ativos de maior risco, como ações, depende de uma mudança estrutural no cenário de juros. "À medida que os juros reais de mercado se aproximarem das taxas dos compromissos atuariais das entidades, os fundos de pensão terão maior necessidade de buscar alternativas de investimento que ofereçam retornos superiores aos dos títulos públicos", afirmou Ferreira.
Para que isso ocorra, é fundamental a previsibilidade de manutenção dos juros em patamares mais baixos por um período prolongado. Gestores e economistas apontam que um cenário mais construtivo para ativos de risco está condicionado ao detalhamento de um ajuste fiscal que traga maior segurança econômica ao país.
Matérias originais
- Fundos de pensão reduzem alocação em ações de 34% para 4,7% desde 2013 · infomoney.com.br



