Fundos de dividendos superam índice da B3 em 2023 e atraem investidores

Destaques
- •Fundos de ações com foco em dividendos registram retornos superiores a 20% no ano, superando o Índice de Dividendos da B3 (IDIV).
- •Estratégia oferece maior estabilidade e atratividade para investidores que buscam migrar da renda fixa para a bolsa em cenário de juros em queda.
- •Acompanhar a performance dos fundos e a evolução da política de juros e dividendos das empresas.
Fundos de ações focados em dividendos têm se destacado como uma alternativa de menor risco para investidores que buscam lucrar com a Bolsa de Valores brasileira. Em outubro, as melhores carteiras do segmento acumulam alta de mais de 15%, e todas as analisadas apresentam retorno acima de 20% no ano, segundo levantamento do InfoMoney com dados da Economatica, considerando rentabilidades até o dia 19.
Dos 13 fundos de dividendos com patrimônio superior a R$ 100 milhões, 11 superaram o Índice de Dividendos da B3 (IDIV) no mês, e 10 também bateram o indicador no acumulado do ano. A estratégia, conhecida pela maior estabilidade em momentos de turbulência, volta a ganhar espaço em um cenário de expectativa de queda da taxa de juros.
Menor volatilidade e segurança
A estratégia de dividendos é vista como uma forma mais segura de investir na Bolsa, especialmente para quem deseja evitar grandes oscilações no valor das cotas e do patrimônio. Rogério Poppe, CEO da ARX Investimentos, ressalta que esses fundos oferecem menor volatilidade.
No curto prazo, Poppe prevê que ações de dividendos possam ter um desempenho inferior às de empresas de crescimento, que tendem a se beneficiar mais com a queda dos juros e a entrada de recursos no mercado. No entanto, ele explica que a gestão do fundo busca um equilíbrio entre empresas mais conservadoras e de crescimento.
“A queda dos juros também ajuda as empresas de dividendos, mas elas são empresas com crescimento mais estável”, explica Poppe. “Por isso, a gestão do ARX Income busca equilibrar de forma ativa a exposição da carteira entre empresas mais conservadoras e empresas de crescimento, em linha com suas perspectivas para os próximos ciclos econômicos”, acrescenta.
Porta de saída do CDI
Guilherme Zaczac, chefe das áreas de mercados privados e alternativas líquidas para o Brasil no UBS Global Wealth Management (GWM), destaca que a estratégia de dividendos é crucial para a diversificação. Ele afirma que o pagamento de bons dividendos demonstra a capacidade da companhia de gerar caixa e recompensar o acionista.
Zaczac ressalta que essas empresas conseguiram entregar retornos consistentes mesmo em um período de juros altos, transmitindo segurança para investidores que desejam migrar da renda fixa (CDI) para a renda variável. Ele também considera as recompras de ações como um fator positivo, pois reduzem o número de papéis em circulação e aumentam o lucro por ação.
“Esse ecossistema complementa bem, dá para o investidor colocar o pé na água de forma mais segura e faz a transição ser menos traumática, até porque essas empresas tenderão a ser mais resilientes no futuro”, diz. Para o executivo, o bom dividendo “é só a ponta do iceberg”, já que essas companhias atravessaram o período de juro alto e saíram mais fortes e preparadas para entregar mais aos acionistas.
O que muda com a eleição e a queda dos juros
A expectativa de queda nos juros tende a tornar os dividendos distribuídos ainda mais atrativos. Zaczac explica que, inicialmente, o investidor buscará ganho de capital e ativos com preços atrativos, com os dividendos vindo como um benefício adicional.
A eleição presidencial pode ser um gatilho para um ciclo positivo para ativos de risco no Brasil. Em um cenário de continuidade do governo atual, Zaczac lembra que ações, especialmente as ligadas a dividendos, funcionam como um ativo real que protege o valor. “A manutenção do status quo representa menos assimetria positiva [para as ações de dividendos], mas mesmo assim elas guardam proteção”, ressalta.



