França: Macron em xeque com protestos e crise de títulos
Destaques
- •Protestos na França escalam para violência, mas governo Macron não pode gastar para acalmar a população.
- •Investidores vendem dívida francesa por receio de instabilidade fiscal e política, elevando custos de financiamento.
- •O dilema de Macron: inação agrava problemas, mais gastos abalam mercados e abrem espaço para populistas.
A França de Emmanuel Macron vive um momento delicado. Enquanto protestos por educação e custo de vida ganham força e escalam para violência, o presidente se vê sem margens para usar o dinheiro público como fez em 2018, quando US$ 11 bilhões em cortes de impostos acalmaram os ânimos.
O motivo é a crescente insegurança dos investidores em relação à capacidade do governo francês de gerenciar seu orçamento. A venda de dívida francesa tem aumentado, pressionando os custos de financiamento do país. Anunciar grandes gastos agora poderia piorar essa situação e abalar ainda mais os mercados.
A situação é um "círculo vicioso" onde instabilidade política e turbulência de mercado se retroalimentam. Macron, sem maioria parlamentar e aproximando-se do fim de seu mandato, enfrenta um dilema: a inação pode agravar os problemas sociais, mas mais gastos podem gerar uma crise fiscal e abrir espaço para políticos populistas, como Marine Le Pen, que disputam sua sucessão.
A França não está sozinha. Países como Alemanha, Japão e EUA também veem custos de financiamento subirem. A tensão reside na dicotomia: eleitores buscam promessas de gastos generosos de populistas, enquanto compradores de dívida exigem austeridade e compensação pelo risco. O governo francês espera gastar mais de € 90 bilhões com juros da dívida no próximo ano, superando verbas de defesa e educação.

