Flávio Bolsonaro nega ajuda externa para fuga para os EUA após derrota eleitoral

Destaques
- •Senador Flávio Bolsonaro afirma ter organizado sua saída do Brasil sozinho após a derrota eleitoral, apesar de relatos de ajuda de aliados de Trump.
- •Bolsonaro alega que decidiu fugir para evitar prisão e critica o Judiciário brasileiro, enquanto o PL já havia reconhecido o resultado das eleições.
- •Apesar de estar nos EUA, Flávio Bolsonaro nomeou assessores para seu gabinete no Senado e participou remotamente de votações, gerando questionamentos.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou em entrevista ao The New York Times que organizou sua saída do Brasil e chegada aos Estados Unidos de forma autônoma, negando qualquer ajuda de governos estrangeiros. A declaração contrasta com relatos de que um jato particular teria sido providenciado por um conselheiro de Donald Trump e que sua entrada nos EUA foi autorizada pelo ex-presidente americano. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, e após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Decisão de fugir e alegações de fraude
Segundo Flávio Bolsonaro, a decisão de deixar o país foi tomada na manhã seguinte à derrota eleitoral, por acreditar que enfrentaria uma condenação certa caso permanecesse no Brasil. Ele classificou o Judiciário como excessivamente rigoroso e politicamente motivado. O senador também reiterou alegações de fraude nas eleições, apesar de o Tribunal Superior Eleitoral e observadores internacionais terem atestado a integridade do pleito. Ele sugeriu que a prorrogação do horário de votação poderia ter sido usada para adicionar votos ilegalmente a Lula, embora o número de votos afetados fosse insuficiente para alterar o resultado. O próprio partido de Flávio Bolsonaro, o PL, já havia reconhecido oficialmente a derrota.
Atuação política à distância e questionamentos no Senado
Apesar de estar nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro nomeou dois assessores para seu gabinete no Senado, incluindo um ex-funcionário de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. As nomeações foram oficializadas enquanto ele já estava em território americano. Ele também participou remotamente de votações no Senado, como a da PEC da Segurança Pública, o que gerou questionamentos de outros parlamentares sobre a ausência de comunicação formal de sua saída do país e a validade de seus votos. A Secretaria-Geral da Mesa do Senado, no entanto, sustenta que seu mandato segue normalmente, pois não há decisão judicial que o impeça de exercer suas funções.
Planos futuros e legado familiar
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende continuar atuando politicamente dos Estados Unidos e espera que sua permanência no país seja temporária, mas não descartou a possibilidade de disputar novamente a Presidência caso haja novas eleições. Ele também planeja apoiar aliados no Brasil que promovam sua agenda. A situação familiar é complexa, com seu pai, Jair Bolsonaro, enfrentando uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, e seu irmão Eduardo já residindo nos EUA. Flávio e sua família têm permissão para permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano sob um status migratório humanitário.
Matérias originais
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