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Flávio Bolsonaro: Ameaça à soberania brasileira em aliança militar com EUA?

22 de outubro de 2026
Flávio Bolsonaro: Ameaça à soberania brasileira em aliança militar com EUA?

Destaques

  • •Senador Flávio Bolsonaro é apontado como favorito em eleições presidenciais, mas enfrenta escândalo de corrupção e busca apoio internacional.
  • •Designação de facções brasileiras como FTOs pelos EUA pode abrir portas para intervenção militar americana em solo nacional.
  • •Decisão eleitoral de 25 de outubro definirá se o Brasil se integrará a aliança militar liderada pelos EUA ou manterá autonomia estratégica.

O senador Flávio Bolsonaro surge como favorito para vencer o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras em 25 de outubro, apesar de um escândalo de corrupção que abalou sua candidatura em maio. Mensagens vazadas indicaram que ele teria solicitado cerca de US$ 27 milhões a um ex-banqueiro para financiar uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A crise de popularidade foi amenizada após um encontro com o então presidente dos EUA, Donald Trump, em 26 de maio, onde Flávio Bolsonaro solicitou a classificação de facções brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) pelos EUA, o que foi concedido pelo secretário de Estado Marco Rubio dois dias depois. Essa ação desviou o foco da corrupção para a segurança nacional, fortalecendo sua campanha.

Interferência dos EUA na política brasileira

As classificações como FTOs são vistas como mais um exemplo da interferência do governo Trump na política brasileira, somando-se a tarifas sobre exportações e sanções. A medida reflete a estratégia de Trump de combater o "narco-terrorismo", que já resultou em ações militares letais nos EUA e em outros países latino-americanos, como a Venezuela. A designação de organizações criminosas brasileiras como FTOs pode transformar alvos das autoridades brasileiras em alvos potenciais da força militar dos EUA, levantando preocupações sobre a soberania nacional.

Operações militares e a "Doutrina Donroe"

A campanha militar dos EUA nas Américas, batizada de "Operação Southern Spear", resultou em ataques a embarcações e mortes sem prisão ou julgamento. O caso do Equador ilustra os riscos: o país tem visto um aumento da violência apesar do apoio dos EUA, com denúncias de violações de direitos humanos por suas forças armadas e por operações conjuntas com os EUA. O presidente equatoriano Daniel Noboa tem aberto o país para o posicionamento de forças militares americanas, mesmo com a proibição constitucional de bases estrangeiras.

Flávio Bolsonaro prometeu aderir ao "Escudo das Américas", uma aliança liderada pelos EUA, e declarou inveja de ataques militares americanos, convidando o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, para ajudar a combater organizações terroristas no Brasil. Essa postura contrasta com a do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que propôs cooperação policial e financeira, mas rejeitou as designações unilaterais de FTOs, defendendo o multilateralismo e a autonomia estratégica brasileira.

A "Doutrina Donroe" de Trump visa garantir acesso privilegiado aos recursos naturais do hemisfério, reduzindo o comércio com a China. Flávio Bolsonaro prometeu a Washington uma parceria estratégica em minerais. A decisão dos brasileiros em 25 de outubro definirá se o país se integrará a uma arquitetura militarizada liderada pelos EUA, com riscos de subordinação, ou se manterá sua autonomia estratégica e soberania.

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