Exportação de milho do Brasil para Europa deve saltar 725% em um ano

Destaques
- •Exportação de milho do Brasil para a Europa deve crescer 725% em um ano, atingindo 1,65 milhão de toneladas.
- •Aumento é impulsionado pela queda nas exportações da Ucrânia e quebra de safra na União Europeia, tornando o cereal brasileiro mais competitivo.
- •Analistas apontam que a América do Sul, incluindo Brasil e Argentina, manterá vantagem competitiva até fevereiro, podendo pressionar preços nos EUA.
A exportação de milho do Brasil para países da Europa deve registrar um salto expressivo de 725% em um ano, passando de cerca de 200 mil toneladas para 1,65 milhão de toneladas. A projeção é da corretora Stag International, que aponta o cereal brasileiro ganhando espaço no mercado europeu devido a dois fatores principais: a redução nas exportações da Ucrânia e uma quebra de safra na própria União Europeia.
O país do leste europeu, tradicional fornecedor para o continente, tem enfrentado dificuldades para exportar após ataques russos terem atingido suas infraestruturas portuárias. Paralelamente, a União Europeia sofreu uma redução significativa em sua produção de milho, caindo para o menor patamar do século, cerca de 48 milhões de toneladas, devido a condições climáticas adversas, como a seca. Essa combinação de fatores levou a um aumento de 40% nas importações de milho pela UE na safra 2026/27.
Competição e Vantagem Sul-Americana
Embora os Estados Unidos tenham sido historicamente um dos principais fornecedores de milho para a Europa, a Stag International observa que a oferta sul-americana, que inclui o Brasil e a Argentina, está se tornando mais competitiva. Os prêmios de exportação (FOB) atuais indicam que a América do Sul manterá essa vantagem ao longo dos meses de dezembro e janeiro, com possibilidade de extensão até fevereiro.
Tanto o Brasil quanto a Argentina colheram safras recorde de milho em 2026. No entanto, as exportações brasileiras têm sido moderadas em comparação com o passado, em parte devido à forte demanda interna para a produção de etanol de grãos. A Stag sugere que, a menos que os EUA acelerem suas vendas para exportação, os preços do milho na bolsa de Chicago podem precisar cair para que o país norte-americano recupere sua competitividade e participação de mercado.
Indicadores e Próximos Passos
Dados de agendamento de navios para exportação em outubro nos portos brasileiros, compilados pela agência marítima Cargonave, já indicavam um volume superior a 1 milhão de toneladas de milho com destino à Europa, com a Espanha como um dos principais compradores. Em linha com essa tendência, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou sua previsão de exportação de milho do Brasil para outubro para quase 7 milhões de toneladas, um aumento de mais de 1 milhão de toneladas em relação ao mesmo mês do ano anterior, embora a Anec não tenha detalhado os destinos específicos.
A expectativa é que o Brasil consolide sua posição como um fornecedor chave para a Europa, especialmente enquanto as condições que afetam a Ucrânia e a produção europeia persistirem. A evolução dos preços em Chicago e a capacidade dos EUA de competir com a oferta sul-americana serão fatores a serem observados nos próximos meses.



