Executivo Fábio Coletti Barbosa avalia cenário econômico pós-eleição

Destaques
- •O presidente do conselho da Natura, Fábio Coletti Barbosa, analisa os reflexos da eleição de Lula para a economia brasileira.
- •Barbosa defende responsabilidade fiscal e critica aumento de gastos públicos, alertando para risco de inflação e juros altos.
- •O executivo projeta um crescimento medíocre para o Brasil, mas afasta cenário de quebra do país, citando suas fortalezas econômicas.
O presidente do conselho da Natura, Fábio Coletti Barbosa, 72 anos, avalia o atual momento político e seus reflexos para a economia brasileira, defendendo pragmatismo e responsabilidade fiscal. Em entrevista à BBC News Brasil, Barbosa afirmou que, independentemente do resultado eleitoral, o foco deve ser em como construir o país e buscar interlocutores para as melhores políticas.
Barbosa, que tem experiência no setor financeiro como ex-presidente do Santander Brasil e da Febraban, identificou-se com o espectro político de centro e apoiou Simone Tebet (PSB-SP) em 2022. Ele criticou a política de aumento de gastos públicos para fomentar a economia, argumentando que isso não resolve a pobreza e pode levar à inflação e a altas taxas de juros, prejudicando a população de menor poder aquisitivo.
Prioridades econômicas e ajuste fiscal
Na visão de Barbosa, a prioridade do governo deveria ser o ajuste fiscal. Ele citou a frase de Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, sobre a dificuldade de eleger candidatos que propõem cortes de despesas. Para ajustar as contas públicas, o executivo sugere reformas administrativas, corte de penduricalhos no Judiciário e um "pente-fino" nos benefícios sociais para identificar e corrigir distorções e abusos.
"As pessoas que argumentam por um equilíbrio fiscal também buscam o bem-estar social", afirmou Barbosa, contrapondo a ideia de que a esquerda detém o monopólio do bem-estar. Ele defende que o aumento de gastos sem o correspondente aumento da produção gera inflação, o que, por sua vez, leva o Banco Central a elevar a taxa de juros, prejudicando a todos, especialmente os mais pobres.
Reforma tributária e outros pontos
Sobre a reforma tributária, Barbosa a considerou um avanço, mas não suficiente, apontando a necessidade de definir alíquotas, o funcionamento do split payment e os riscos para as empresas compradoras. Ele também defende a revisão do imposto de renda e critica a isenção de impostos sobre títulos de renda fixa, como LCI e LCA, que geram perdas para o governo e beneficiam investidores, endossando a opinião do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.
O executivo também comentou sobre o fim das apostas esportivas (bets), considerando-o uma boa medida. No entanto, alertou que o endividamento da população também é fruto de uma política monetária que eleva a taxa de juros, reduzindo o poder aquisitivo. Ele defende o combate às razões que levam os juros no Brasil a serem elevados.
Perspectivas para o futuro
Apesar de considerar o ano de 2027 como potencialmente difícil do ponto de vista econômico, Fábio Coletti Barbosa afasta um cenário catastrófico para o Brasil. Ele ressalta as fortalezas do país, como contas externas em ordem, inflação sob controle, Banco Central independente, produção de petróleo, agricultura pujante, energia abundante e produção de metais robusta. O presidente Lula, segundo ele, tem aberto muitos mercados.
"O Brasil não quebra. Mas o Brasil fica condenado a um crescimento medíocre, em função de juros elevados, de uma necessidade muito grande de financiamento", disse Barbosa. Ele também destacou que uma sociedade menos desigual beneficia os negócios, pois uma população com maior acesso à educação e melhores condições de produtividade amplia o mercado consumidor.



