Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Evangélicos: "Voto em bloco" é mito; bolsonarismo usou assédio eleitoral

21 de outubro de 2026
Evangélicos: "Voto em bloco" é mito; bolsonarismo usou assédio eleitoral

Destaques

  • •A ideia de um voto evangélico em bloco é um equívoco, pois o segmento é diverso e historicamente não se alinhou unanimemente a um candidato.
  • •O bolsonarismo utilizou estratégias como a politização de eventos religiosos e a demonização de adversários para cooptar eleitores evangélicos.
  • •O impacto do bolsonarismo nas igrejas evangélicas é comparado a um "assédio eleitoral", com consequências que podem levar a uma "fatura" a ser paga.

A premissa de que o segmento evangélico vota em bloco é equivocada, segundo análise de Ronilso Pacheco, teólogo e diretor executivo do Instituto de Estudos da Religião (Iser). A diversidade dentro do eleitorado evangélico e a falta de unanimidade em eleições passadas, como em 2010, quando lideranças religiosas apoiaram candidatos de diferentes espectros políticos, demonstram a complexidade desse eleitorado.

A percepção de um voto evangélico consolidado mudou a partir de 2018, com a ascensão do bolsonarismo. Jair Bolsonaro, com uma estratégia bem definida, conseguiu atrair o apoio de grande parte das lideranças evangélicas conservadoras, instrumentalizando igrejas e fiéis.

A Estratégia do Bolsonarismo

A aproximação de Bolsonaro com o segmento evangélico não foi acidental, mas sim fruto de uma estratégia com pelo menos cinco movimentos principais. Um deles foi o uso da Bíblia como mote de campanha, com o versículo "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", apostando no engajamento de eleitores cristãos. Outro ponto foi a politização da "Marcha pra Jesus", transformando-a em um palanque político.

Além disso, cultos religiosos foram transformados em programas eleitorais, com pastores apresentando Bolsonaro como "o escolhido" e "ungido". O nacionalismo cristão, que instrumentaliza igrejas e o segmento evangélico com discurso de ódio e exclusivismo, também foi uma tática central. Por fim, a demonização dos adversários, apresentados como inimigos de Deus e da igreja, reforçou a polarização.

Assédio Eleitoral e Consequências

Ronilso Pacheco prefere chamar a relação entre bolsonarismo e eleitores evangélicos de "assédio eleitoral", em vez de identificação automática com a direita. Essa prática, segundo ele, ocorre diariamente, não apenas em anos eleitorais, expondo evangélicos a imposições tidas como bíblicas e divinas.

Esse assédio se manifestou em cultos, grupos de oração, rádios evangélicas, conferências de juventude e grupos de WhatsApp. A instrumentalização das igrejas evangélicas pelo bolsonarismo, segundo o autor, transformou muitas delas em "terra arrasada", separou famílias e confundiu muitas mentes. A alta porcentagem de votos bolsonaristas entre evangélicos não refletiria identificação genuína, mas sim o resultado desse assédio prolongado. A "fatura" dessa estratégia, no entanto, estaria chegando, com muitos fiéis demonstrando cansaço.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Evangélicos: "Voto em bloco" é mito; bolsonarismo usou assédio eleitoral | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias