EUA atacam ilha iraniana de Qeshm em meio a negociações de acordo

Destaques
- •Estados Unidos realizaram ataques de menor escala na ilha iraniana de Qeshm, visando evitar escalada militar.
- •Ações ocorrem na véspera das eleições de meio de mandato nos EUA e em meio a negociações para um possível acordo com o Irã.
- •O Irã sinaliza disposição para um acordo e ameaça reabrir o Estreito de Ormuz se suas condições não forem atendidas.
Os Estados Unidos realizaram ataques na ilha iraniana de Qeshm, localizada no estratégico Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, na segunda-feira (2). A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal, que citou autoridades americanas. Veículos de mídia iranianos relataram a ocorrência de cinco explosões na ilha e o avistamento de dois aviões por moradores locais. A agência iraniana IRNA foi a primeira a reportar as explosões, com a agência Fars informando posteriormente que explosões também foram ouvidas na cidade portuária de Bandar Lengeh.
A ilha de Qeshm, a maior do golfo, abriga instalações estratégicas como um depósito subterrâneo de mísseis, uma base naval e uma usina de dessalinização. Esta não é a primeira vez que a localidade é alvo de ataques norte-americanos.
Estratégia de ataques discretos e sem anúncio
A recente ofensiva em Qeshm se insere em uma estratégia mais ampla de ataques de menor escala promovidos pelos Estados Unidos contra o Irã nas últimas semanas. Segundo uma autoridade ouvida pelo WSJ, a escolha por ataques de menor porte e sem divulgação pública visa sinalizar que os Estados Unidos não têm a intenção de retomar operações de grande escala na região. Essa abordagem busca gerenciar as expectativas e a escalada do conflito, evitando um anúncio público das ações.
Um funcionário norte-americano, sob condição de anonimato, relatou à Associated Press que os ataques tiveram como alvo supostas forças iranianas que teriam utilizado mísseis terra-ar contra ativos dos Estados Unidos. Essa tática discreta difere de ações anteriores, onde as autoridades americanas optavam por anunciar ou confirmar publicamente as operações.
Contexto político e negociações para acordo
A ação em Qeshm acontece na véspera das eleições legislativas americanas, conhecidas como midterms, que serão realizadas na terça-feira (3). O presidente dos EUA, Donald Trump, havia anteriormente rejeitado a possibilidade de retomada de ofensivas na região após o pleito. Na segunda-feira (2), Trump declarou à imprensa que o Irã busca um acordo para encerrar a guerra e sugeriu que um entendimento "pode acontecer".
Em sua plataforma Truth Social, Trump escreveu: "Os preços do petróleo estão caindo como uma pedra, quase 10 dólares por barril, um recorde, porque as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irã". Ele acrescentou: "O Irã quer um acordo, o mais rápido possível. Pode acontecer!".
Do lado iraniano, autoridades confirmam que as negociações para um possível acordo seguem em curso, com mediação do Qatar. Teerã anunciou que está pronta para reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias se Washington concordar com suas condições. Essa proposta é uma versão reduzida de um plano de sete etapas apresentado em setembro e está sendo discutida por canais diplomáticos com a participação de Catar e Paquistão. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que "a bola está nas mãos dos EUA".
Matérias originais
- EUA atacam a ilha iraniana de Qeshm, no estreito de Ormuz · poder360.com.br
- EUA atacam ilha de Qeshm após Irã propor reabertura de Ormuz · operamundi.uol.com.br



