Empresários com histórico judicial doaram R$ 3,1 milhões para campanha de Flávio Bolsonaro

Destaques
- •Doações de R$ 3,1 milhões vieram de dois empresários com processos judiciais, sendo as maiores contribuições individuais registradas.
- •Um dos doadores foi indiciado por formação de quadrilha e contrabando, com caso prescrito; o outro é réu em processo de corrupção.
- •As campanhas eleitorais e os empresários procurados não se manifestaram até a publicação da reportagem.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, recebeu R$ 3,1 milhões em doações de campanha de duas pessoas físicas com histórico de problemas judiciais. As contribuições, feitas por Eloi Vitório Marchett e Nelson José Vigolo, foram as maiores doações individuais registradas para a campanha de Flávio Bolsonaro até 21 de outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Eloi Vitório Marchett realizou duas doações de R$ 1 milhão cada em 15 de outubro. Em 2006, ele foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Zaqueu, que investigou um grupo acusado de contrabandear agrotóxicos, cigarros e munições, com ligações ao tráfico de drogas. A empresa de Marchett, Sementes Carolina, era apontada como destino de agrotóxicos contrabandeados. Ele chegou a ter prisão temporária decretada e bens bloqueados. Um inquérito contra ele por formação de quadrilha, contrabando e violação à Lei de Agrotóxicos foi extinto em 2017 devido à prescrição, antes de ser julgado.
Histórico dos doadores
Nelson José Vigolo, presidente do Grupo Bom Jesus, doou R$ 1,1 milhão. Ele é réu colaborador na Operação Faroeste, que apura grilagem de terras e venda de sentenças no oeste baiano. Vigolo confessou ter pago propina para influenciar um julgamento envolvendo sua empresa, a Bom Jesus Agropecuária, e firmou acordo de colaboração com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), comprometendo-se a pagar R$ 20 milhões ao Judiciário.
O Grupo Bom Jesus atua nos estados do Mato Grosso, Bahia e Piauí, com mais de 385 mil hectares de área de cultivo.
Defesas e posicionamentos
A defesa de Nelson Vigolo afirmou que a Bom Jesus Agropecuária foi vítima de extorsão e que a própria empresa denunciou o esquema ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que teria originado as investigações. Sobre a doação, declararam que o repasse foi lícito, transparente e registrado na Justiça Eleitoral, e que o cliente não tem relação com o candidato. Outros questionamentos foram deixados sem resposta devido ao sigilo dos processos.
O Grupo Bom Jesus, em nota, também repudiou as acusações, alegando ter sido vítima de extorsão e que provocou o CNJ. A empresa informou que está reforçando sua governança, compliance e gestão de riscos.
Eloi Vitório Marchett e a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestaram até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.



