Eleições nos EUA: Democratas buscam virada em redutos republicanos, mas Senado é desafio

Destaques
- •Democratas esperam 'onda azul' em eleições de meio de mandato, com pesquisas indicando vitórias em estados republicanos.
- •Histórico mostra que partido do presidente tende a perder cadeiras na Câmara, mas Senado pode ter resultado diferente.
- •Controle de ambas as casas do Congresso pelos democratas é visto como improvável, mas um bom desempenho pode ser celebrado como vitória.
Democratas nutrem expectativas de uma "onda azul" nas eleições de novembro nos Estados Unidos, impulsionados por pesquisas recentes que sugerem a possibilidade de vitórias em redutos republicanos. No entanto, a magnitude do sucesso dependerá da conquista do controle de ambas as casas do Congresso, a Câmara dos Representantes e o Senado. Comentários de analistas indicam que, embora um dia positivo para os democratas seja possível, a obtenção da maioria no Senado pode ser um desafio.
A história das eleições de meio de mandato sugere que o partido do presidente em exercício tende a perder cadeiras na Câmara. Nos últimos 100 anos, apenas em duas ocasiões o partido presidencial não sofreu perdas significativas: em 2002, sob George W. Bush, e em 1998, durante o governo de Bill Clinton, impulsionado pelo "boom" das empresas de internet e pela reação ao processo de impeachment.
O cenário na Câmara dos Representantes
A Câmara dos Representantes está atualmente dividida por uma margem estreita, com 218 republicanos e 214 democratas. Os democratas precisariam conquistar quatro cadeiras adicionais para obter a maioria. Pesquisas indicam que há mais cadeiras republicanas em disputa acirrada do que democratas, o que poderia facilitar a conquista democrata. No entanto, o Partido Republicano também pode reivindicar uma vitória se conseguir conter essa "onda" democrata.
Em 2022, os democratas perderam apenas nove cadeiras na Câmara, um resultado considerado uma vitória em comparação com as previsões de uma "onda vermelha" avassaladora. Em 2018, os republicanos perderam o controle da Casa ao perderem 41 cadeiras.
Desafios no Senado
O Senado apresenta um cenário mais complexo para os democratas. Apenas cerca de um terço das 35 cadeiras em disputa em 2026 está em jogo, e os democratas precisam vencer sete das dez disputas consideradas decisivas para alcançar a maioria de 51 assentos. Várias dessas cadeiras-chave estão atualmente sob controle republicano, como no Alasca, Iowa, Kansas, Carolina do Norte, Ohio e Texas.
O mapa do Senado historicamente favorece os republicanos, e nas últimas duas eleições de meio de mandato (2018 e 2022), o partido do presidente perdeu o controle da Câmara, mas ganhou cadeiras no Senado. A conquista de ambas as casas pelos democratas no mesmo ciclo eleitoral é rara, tendo ocorrido apenas duas vezes nos últimos 50 anos.
O que está em jogo para Trump e os Republicanos
Caso os democratas assumam o controle da Câmara ou do Senado, a administração Trump enfrentaria uma fiscalização mais intensa, com investigações e audiências. O controle democrata também poderia impor restrições ao orçamento. No entanto, mesmo com a maioria, os democratas não teriam a supermaioria necessária para superar manobras de obstrução legislativa, exigindo apoio bipartidário para a aprovação de projetos de lei orçamentários.
O ex-presidente Donald Trump, cujos índices de aprovação são um fator nas eleições, tem se preparado para um possível Congresso mais hostil. A possibilidade de vitórias democratas em estados republicanos, como Carolina do Norte, Geórgia e Texas, é vista como um sinal de mudança no cenário político.
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