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Eleições 2026: Selic pode variar entre 11% e 14% ao fim de 2027

23 de outubro de 2026
Eleições 2026: Selic pode variar entre 11% e 14% ao fim de 2027

Destaques

  • •Projeção de Bruno Corano aponta que a taxa básica de juros pode ficar entre 11% e 14% no final de 2027, dependendo do resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
  • •Governo Lula estima a Selic média em 12,53% para 2027, com um superávit primário de R$ 18,6 bilhões.
  • •O futuro presidente enfrentará o desafio de equilibrar as contas públicas em meio a uma economia em desaceleração e alta inflação.

O futuro presidente da República, a ser eleito no segundo turno das eleições de 2026, herdará uma Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) de 82,9% do PIB, o maior patamar desde março de 2021. Nesse cenário, o investidor Bruno Corano, fundador da Corano Capital, projeta que a taxa Selic (taxa básica de juros da economia) pode variar entre 11% e 14% ao final de 2027, com a definição dependendo do vencedor da disputa eleitoral.

A análise de Corano, divulgada um dia antes do segundo turno, indica que o mercado financeiro já precificou a vitória do candidato Flávio Bolsonaro (PL) com cerca de 80% de probabilidade. Segundo o economista, uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levaria a uma reprecificação mais abrupta dos ativos. O governo Lula, por sua vez, estima a média da taxa de juros em 12,53% para o próximo ano, com um superávit primário de R$ 18,6 bilhões.

Propostas fiscais e impacto na Selic

Corano descreve estratégias fiscais distintas para os dois candidatos. Para Lula, a proposta é manter o arcabouço fiscal e buscar um superávit primário de 1,3% do PIB até 2030, partindo de um déficit de cerca de 0,4% do PIB em 2026, com expectativa de maior tributação sobre altas rendas.

Já Flávio Bolsonaro propõe uma nova regra fiscal ancorada na dívida e um ajuste de 1,5% do PIB em 18 meses, o que equivaleria a uma redução de gastos entre R$ 190 bilhões e R$ 204 bilhões. Sua plataforma inclui redução de ministérios, privatizações e corte de impostos.

Para o economista, a estabilização da dívida exigiria um esforço de 3% do PIB, o dobro do prometido por Flávio. Ele também aponta que Lula precisaria apresentar um plano de ajuste mais severo no início do mandato. Medidas aprovadas em 2026 mobilizaram cerca de R$ 300 bilhões, com R$ 94 bilhões de impacto direto no resultado primário, segundo material da Instituição Fiscal Independente (IFI).

Desafios econômicos e o cenário argentino

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa de Lula contempla um ajuste das contas públicas sem "dar cavalo de pau", visando conter o endividamento e baixar a taxa de juros. Ele considera impossível um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano, como sugerido pela campanha de Bolsonaro.

A campanha de Flávio Bolsonaro promete um ajuste mais rápido, com um "tesouraço" nos gastos. O programa de governo fala em equilíbrio fiscal, reforma do Estado, combate à corrupção e menos impostos. Economistas, no entanto, mostram-se reticentes sobre a possibilidade de ajustes rápidos e de grande proporção, diante de compromissos como manutenção de programas sociais e reajuste do salário mínimo acima da inflação.

O presidente da Argentina, Javier Milei, e seu "Plano Motosserra" foram citados como referência por Flávio Bolsonaro, enquanto Lula alertou para os custos sociais de medidas severas. A Argentina, sob Milei, conseguiu reduzir a inflação e equilibrar as contas públicas, mas enfrenta alta pobreza e desemprego. Especialistas apontam que, embora o Brasil precise de ajuste fiscal, não tem a mesma tolerância política para um choque na proporção argentina.

Próximos passos e projeções

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá em 4 de novembro, dez dias após o segundo turno. Corano estima uma pausa nos cortes da Selic em 13,75% se Lula vencer, e cortes de 0,25 ponto percentual com Flávio.

O próximo presidente terá que lidar com a cobrança do mercado por um ajuste nas contas públicas, a insatisfação com o custo de vida e o endividamento recorde, em um cenário de economia que deverá crescer menos em 2027. Nenhum dos candidatos apresentou planos claros para esses desafios, com respostas mais concretas aguardadas para o pós-eleição.

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