Eduardo Paes pede cassação de Douglas Ruas por compra de votos e propaganda enganosa

Destaques
- •Campanha de Eduardo Paes acusa Douglas Ruas de compra de votos e uso de propaganda enganosa para influenciar eleitores.
- •A ação cita distribuição de panfletos que associavam Paes a pautas controversas e Ruas a valores cristãos, além de apreensões de dinheiro e denúncias de pagamentos por votos.
- •A Justiça Eleitoral analisará as denúncias, que podem levar à cassação do registro ou diploma de Douglas Ruas e à sua inelegibilidade.
A campanha de Eduardo Paes (PSD) entrou com uma ação na Justiça Eleitoral em 1º de novembro, pedindo a investigação de supostas irregularidades cometidas por Douglas Ruas (PL) e pela Coligação Rio Real durante as eleições. A denúncia principal alega compra de votos e coação de eleitores, com o objetivo de cassar o registro ou o diploma de Ruas, que foi eleito governador.
A petição se baseia em denúncias, registros policiais, reportagens e publicações em redes sociais como indícios das irregularidades. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não configuram, por si só, comprovação dos fatos.
Panfletos e propaganda enganosa
Um dos eixos centrais da ação é a distribuição de panfletos intitulados "DOUGLAS RUAS - EVANGÉLICO", produzidos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Segundo a campanha de Paes, o material atribuía falsamente ao candidato posições favoráveis ao aborto, à liberação de drogas e a banheiros unissex, visando influenciar o eleitorado religioso.
Outro ponto questionado é o panfleto "RIO ESCOLHE", que associava Eduardo Paes ao então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, destacando o número 13. A acusação é que essa propaganda poderia induzir eleitores a digitar o número 13 para governador, número associado a votos nulos na eleição, em vez do número 55 de Paes.
A ação argumenta que 204.309 votos para governador foram anulados com o número 13. Douglas Ruas venceu o primeiro turno com 50,88% dos votos válidos, enquanto Paes obteve 44,16%. Os autores da ação sustentam que, se os votos nulos tivessem sido direcionados a Paes, a eleição poderia ter ido para o segundo turno, mas a relação direta entre os votos nulos e o material de campanha ainda precisa ser comprovada.
Santinhos e suspeitas de compra de votos
A campanha de Paes também relata a circulação de "santinhos" que associavam a foto e o nome de Eduardo Paes ao número 22, utilizado por Douglas Ruas. Parte desse material, segundo a petição, não apresentava identificação da gráfica ou do contratante.
Para sustentar as suspeitas de compra de votos, a ação cita episódios como a apreensão de R$ 600 mil em espécie e planilhas em Niterói, com a filha da deputada federal Soraya Santos (PL). A petição pede que a origem e o destino do dinheiro sejam investigados, ressaltando que a apreensão por si só não comprova a compra de votos.
Em Teresópolis, foram apreendidos materiais de campanha de Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em dinheiro em um veículo no dia da votação. Denúncias sobre pagamentos de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos em diferentes regiões do estado também foram incluídas.
Próximos passos e investigações
Os advogados de Eduardo Paes solicitam que as plataformas de redes sociais forneçam dados de mais de 60 perfis citados no processo, a fim de identificar e ouvir os responsáveis pelas publicações como testemunhas. Além disso, pedem o compartilhamento de investigações em andamento na Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público Eleitoral relacionadas aos episódios mencionados.
A ação também pede que Douglas Ruas e a vice, Fernanda Louback, sejam considerados inelegíveis por 8 anos e que os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha utilizados nos materiais ilícitos sejam devolvidos integralmente.



