Itaú Unibanco antecipa cenário econômico mais difícil em 2027

Destaques
- •Presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, projeta cenário econômico mais desafiador em 2027, com menor crescimento e juros restritivos.
- •Maluhy defende que o governo envie sinais claros sobre agenda fiscal e trabalhe para recuperar o grau de investimento do Brasil.
- •O banco afirma estar bem posicionado para enfrentar as dificuldades, com carteira de crédito robusta e clientes resilientes.
O Itaú Unibanco antecipa um cenário econômico mais desafiador em 2027, com projeções de menor crescimento, possível aumento do desemprego e juros em patamar restritivo por mais tempo. A avaliação foi feita pelo presidente-executivo do banco, Milton Maluhy Filho, em coletiva de imprensa sobre o balanço do terceiro trimestre de 2026.
Maluhy destacou que, embora o banco não seja imune às condições econômicas, sua carteira de crédito de R$ 1,5 trilhão está bem posicionada para enfrentar os desafios. Ele ressaltou que a combinação de uma economia com famílias já com alto comprometimento de renda e empresas precisando se refinanciar com juros elevados gera preocupações para o futuro.
Sinais claros para a economia
O CEO do Itaú Unibanco defende que o governo envie sinais claros sobre sua agenda fiscal e trabalhe para recuperar o grau de investimento do Brasil, perdido há mais de uma década. Segundo Maluhy, a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda e as diretrizes da equipe econômica são fundamentais para reduzir a volatilidade do mercado e criar condições para uma queda sustentável dos juros.
"O mercado, por definição, não tem partido. O mercado olha para propostas concretas", afirmou Maluhy, que evitou comentar especulações sobre mudanças na política fiscal. Ele lembrou que o Brasil conquistou o grau de investimento durante os primeiros mandatos de Lula, um selo que afeta a capacidade de financiamento do país em volume e preço.
Preparação do banco para 2027
Diante da perspectiva de manutenção dos juros em patamar restritivo, Maluhy alertou para os riscos de tentar acelerar sua redução sem as condições macroeconômicas adequadas, o que poderia elevar o custo de financiamento. "É do interesse de todos trabalhar com juros estruturalmente mais baixos, mas, para isso, a gente precisa criar as condições", disse.
Apesar do tom cauteloso, Maluhy garantiu que o Itaú está preparado para um ambiente mais adverso em 2027, apoiado na qualidade da carteira de crédito, diversificação de receitas e disciplina de gestão de riscos. "Nunca estivemos tão preparados para enfrentar qualquer que seja o cenário", afirmou.
Resultados e estratégia
O Itaú reportou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com as projeções. Os níveis de inadimplência ficaram abaixo dos registrados pelo mercado.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 23,6% no consolidado e 24,5% nas operações brasileiras. A carteira de crédito expandiu 10,9% em 12 meses, alcançando R$ 1,5 trilhão. Maluhy atribuiu os resultados a uma estratégia de longo prazo focada em clientes resilientes e produtos com maior participação de garantias, além de investimentos em tecnologia e eficiência.



