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Argentina caminha para recessão técnica com queda de 1,7% em agosto

22 de outubro de 2026
Argentina caminha para recessão técnica com queda de 1,7% em agosto

Destaques

  • •Economia argentina registra queda de 1,7% em agosto, aproximando-se de recessão técnica.
  • •Setores como pesca, indústria e comércio puxam o indicador para baixo, enquanto mineração e energia mostram recuperação.
  • •Governo de Javier Milei busca reverter o quadro de desaceleração com medidas de corte de gastos e foco em exportações.

A economia argentina deu sinais preocupantes em agosto de 2026, registrando uma queda de 1,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O Indicador Mensal de Atividade Econômica (EMAE), similar ao IBC-Br brasileiro, apresentou um crescimento modesto de apenas 0,1% em relação a julho, insuficiente para reverter a expressiva retração de 2,8% observada no mês anterior. Analistas apontam que o país caminha para uma provável recessão técnica no terceiro trimestre, cenário que se configura com dois trimestres consecutivos de queda no Produto Interno Bruto (PIB).

A Argentina já havia registrado uma contração de 0,2% no PIB no segundo trimestre de 2026. Para evitar a caracterização de recessão técnica no terceiro trimestre, seria necessário um crescimento mensal superior a 8,5% em setembro, o que é considerado improvável. Segundo Gonzalo Carrera, analista da consultoria Equilibra, mesmo com um avanço de 1,5% em setembro, o trimestre terminaria com uma retração de 2,3%.

Desempenho setorial em agosto

Os dados divulgados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) revelam um quadro misto na atividade econômica. Dez setores registraram quedas em agosto, com destaque para a pesca, que sofreu uma retração de 15,7% na comparação anual. A indústria manufatureira (-3,2% anuais) e o comércio atacadista, varejista e de reparos (-3,5%) foram os principais responsáveis por puxar o indicador geral para baixo, subtraindo juntos 0,9 ponto percentual da variação interanual do EMAE. Outros setores com desempenho negativo incluem intermediação financeira (-3,8%), transportes e comunicações (-2,9%) e construção (-2,5%).

Em contrapartida, cinco setores apresentaram altas. A exploração de minas e pedreiras liderou com um crescimento de 11,1% ao ano, seguida pela eletricidade, gás e água (4,3%) e hotéis e restaurantes (+3,1% anuais). A economista Clara Brenck, da UFMG, ressalta que os setores de mineração e energia têm segurado a economia, mas dependem fortemente do mercado externo e de preços internacionais, não refletindo uma melhora na atividade doméstica.

Perspectivas e o Governo Milei

Apesar dos sinais de desaceleração, o ministro da Economia, Luis Caputo, destacou o crescimento de 0,1% em agosto em relação a julho, afirmando que o indicador tendência-ciclo está 6,6% acima do nível de dezembro de 2023. Ele também celebrou o recorde histórico nas exportações agroindustriais de setembro, com um crescimento de 13% no acumulado dos primeiros nove meses do ano em relação a 2025.

No entanto, a professora Ana Paula Brenck, da USP, considera preocupante a queda nos setores industriais e comerciais, que empregam mais trabalhadores. Ela avalia que as políticas de corte de gastos do presidente Javier Milei, que prometiam gerar investimento e atividade econômica privada, não têm surtido o efeito esperado. O aumento do desemprego, mencionado por Clara Brenck, também é um indício de recessão. O setor hoteleiro, embora em alta, tem um peso pequeno na economia para reverter o quadro geral.

Próximos passos

A confirmação da recessão técnica dependerá dos dados de atividade econômica referentes a setembro, que ainda serão divulgados. A expectativa geral é de que a economia argentina continue sob pressão, com o governo buscando medidas para reverter o quadro de desaceleração, enquanto o impacto das políticas de austeridade do presidente Javier Milei é avaliado.

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