Dólar sobe e Ibovespa cai com foco em eleições e balanços

Destaques
- •Dólar opera em alta e Ibovespa futuro em queda com investidores atentos à nova pesquisa eleitoral e à temporada de balanços corporativos.
- •Tensões no Oriente Médio e dados de petróleo no radar internacional influenciam mercados globais e commodities.
- •Banco Central estuda medidas para conter endividamento das famílias, com foco em transparência e limites de crédito.
O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (21), cotado a R$ 5,0271, enquanto o Ibovespa futuro operava em queda, com investidores digerindo a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais e a temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre. A volatilidade nos mercados reflete a incerteza eleitoral e os movimentos globais de commodities e moedas.
A divulgação de novas pesquisas eleitorais, como a da Quaest prevista para esta manhã, é um dos principais focos. O cenário político segue em destaque com a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Analistas da Ágora Investimentos apontam que as propostas com impacto fiscal, como a PEC da tarifa zero, podem limitar movimentos mais fortes nos mercados.
Cenário Eleitoral e Pesquisas
A quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), o mercado acompanha de perto os levantamentos de intenção de voto. A pesquisa Quaest, esperada para às 10h, pode trazer novos indicativos sobre o desempenho dos candidatos. O Ibovespa futuro iniciou o pregão em queda, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário eleitoral.
No domingo (18), os candidatos participaram do primeiro debate do segundo turno, onde debateram propostas e criticaram os adversários. A expectativa é que os resultados das urnas influenciem diretamente o comportamento do mercado financeiro nos próximos dias.
Temporada de Balanços e Endividamento Familiar
A temporada de divulgação de balanços corporativos do terceiro trimestre começou nesta semana, com a WEG (WEGE3) já tendo anunciado lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, ligeiramente abaixo das expectativas. A partir de quinta-feira (22), a atenção se volta para os resultados de bancos como o Bradesco (BBDC4), onde os índices de inadimplência estarão sob escrutínio.
Adicionalmente, o Banco Central estuda medidas para conter o endividamento das famílias. As propostas incluem maior transparência dos bancos, conscientização do consumidor e a possibilidade de limitar o crédito concedido com base na renda. O cenário de crédito e o endividamento são pontos de atenção para a economia brasileira.
Tensões Geopolíticas e Petróleo no Radar
No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio continuam a impactar os preços do petróleo. O Irã afirmou que minas navais impediram petroleiros de atravessar o Estreito de Ormuz por rotas não autorizadas. O barril do Brent subia 0,57%, cotado a US$ 109,41, e o WTI avançava 0,84%, a US$ 98,64, com o mercado em alerta sobre possíveis interrupções no fornecimento.
O Goldman Sachs estima que os prêmios de risco de guerra associados ao Estreito de Ormuz contribuíram significativamente para o aumento das taxas de frete de petróleo bruto. A volatilidade nos preços da commodity é um fator de atenção para a economia global e, consequentemente, para o Brasil.
Mercados Globais e Câmbio
As bolsas asiáticas fecharam mistas, com o SSEC de Xangai em queda de 0,6% e o Nikkei do Japão em alta de 0,85%. Na Europa, as bolsas operam com cautela, enquanto os índices futuros de Wall Street apresentavam alta, impulsionados por balanços corporativos e expectativas de lucros sólidos. O dólar futuro na B3 operava com leve alta de 0,02%, aos R$ 5,037.
O dólar à vista abriu em R$ 5,0270, mas zerou os ganhos e operava em leve queda de 0,09%, a R$ 5,0145, em sintonia com o movimento do índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes e operava em queda de 0,03%. A Fitch Ratings avalia que a economia brasileira deve desacelerar nos próximos anos devido às altas taxas de juros reais, mas espera um endurecimento da política fiscal em 2023.



