Debate presidencial: Flávio Bolsonaro e Lula trocam acusações sobre milícias e segurança pública

Destaques
- •Flávio Bolsonaro negou envolvimento com milícias e prometeu classificá-las como organizações narcoterroristas.
- •O debate também abordou a morte da menina Ana Clara, com Lula questionando a defesa do policial envolvido por Flávio.
- •A primeira-dama Janja publicou vídeo alertando sobre feminicídios em um eventual governo Flávio Bolsonaro.
O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23.out.2026), foi marcado por intensas trocas de acusações entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Temas como milícias, segurança pública e a morte da menina Ana Clara dominaram as discussões, com ambos os candidatos buscando descreditar o adversário.
Flávio Bolsonaro reagiu às acusações de Lula, que o chamou de "miliciano", negando qualquer envolvimento com grupos criminosos. O senador afirmou que, caso eleito, pretende classificar as milícias como organizações narcoterroristas, o que, segundo ele, resultaria em penas mais longas para os envolvidos. Ele também mencionou ter empregado familiares de um ex-capitão da Polícia Militar, Adriano da Nóbrega, em seu gabinete e ter destinado uma emenda parlamentar a um instituto a pedido de um miliciano condenado. O senador também pediu desculpas a Lula por ter se referido a ele como "9 dedos", em alusão a um acidente de trabalho.
Milícias e combate ao crime
A discussão sobre milícias ganhou força após Lula reagir à provocação de Flávio sobre o apelido "9 dedos". O presidente acusou Flávio Bolsonaro de ser "miliciano". Em sua defesa, Flávio declarou que "o candidato aqui insiste em me acusar de crimes que eu nunca cometi". Ele prometeu endurecer o combate a esses grupos, classificando-os como organizações narcoterroristas.
O senador relembrou que, em 2005, concedeu a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar e integrante de milícia, segundo o Ministério Público. Ele também admitiu ter empregado a ex-mulher e a mãe de Adriano em seu gabinete na Alerj. Além disso, foi divulgado que Flávio destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil a um instituto esportivo, a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
O caso Ana Clara
Outro ponto de tensão no debate foi o caso da menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, morta em 2021 em Niterói (RJ) após ser atingida por um disparo de fuzil. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua atuação na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, denunciado pelo Ministério Público como autor do disparo. A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, estava presente na plateia.
Flávio se confundiu e chamou a mãe pelo nome da filha, Ana Clara, ao prestar solidariedade. Ele afirmou ter confiança na inocência do policial e que a morte ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada. "Eu quero ajudar a senhora a saber quem foi o autor desse disparo, porque tenho a confiança de que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda", declarou. O julgamento do policial, que estava previsto para outubro de 2026, foi adiado para maio de 2027.
Posicionamentos e alertas
Enquanto o debate ocorria, a primeira-dama Janja publicou um vídeo em suas redes sociais alertando que os casos de feminicídio "irão disparar" sob um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O vídeo associava a circulação de armas e munições durante o governo Bolsonaro ao aumento do risco de morte para mulheres.
O debate também abordou a política educacional. Lula criticou o governo Bolsonaro por "não acreditar na educação" e questionou Flávio sobre seus planos para o ensino integral, citando o trabalho de reconstrução feito pelo ex-ministro Camilo Santana.
Manifestantes se reuniram em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília para protestar contra Flávio Bolsonaro, pedindo a divulgação de suas informações sigilosas e mencionando o caso Ana Clara. O ato também criticou o ministro Kassio Nunes Marques.
Matérias originais
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