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CVM abre processo contra liquidante de fundos do grupo Master

21 de outubro de 2026
CVM abre processo contra liquidante de fundos do grupo Master

Destaques

  • •Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abre processo sancionador contra a EFB Regimes Especiais e seu nomeado, Eduardo Félix Bianchini.
  • •A apuração se refere ao descumprimento do prazo para convocação de assembleias de cotistas de fundos imobiliários administrados pela Master Corretora, que está em liquidação.
  • •Investidores, incluindo fundos de pensão e previdências municipais, seguem com cotas presas e sem possibilidade de troca de administração ou venda com valor justo.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo administrativo sancionador contra a EFB Regimes Especiais, empresa de Eduardo Félix Bianchini, nomeado pelo Banco Central para conduzir a liquidação das instituições do grupo Master. É o primeiro processo contra a EFB e Bianchini, que também figura como acusado.

A CVM apura o descumprimento do prazo para convocar assembleias de cotistas de fundos imobiliários administrados pela Master Corretora. Quase um ano após a quebra do conglomerado, os fundos seguem presos à instituição em liquidação, impedindo que investidores troquem a administração ou vendam suas cotas sem grandes descontos.

Fundos Imobiliários Presos à Master Corretora

Pelas regras da CVM, quando uma administradora de fundo imobiliário entra em liquidação extrajudicial, o liquidante deve convocar a assembleia de cotistas para eleger um substituto. Se isso não ocorrer em até 30 dias úteis após a publicação do ato de liquidação, o Banco Central deve nomear uma instituição para liquidar o fundo.

Na prática, os cotistas ficam impedidos de movimentar seus investimentos. Entre os afetados estão fundos de pensão e institutos de previdência de servidores de ao menos sete municípios. O maior dos fundos, o Macam Shopping, com R$ 467 milhões em patrimônio líquido, enfrenta acúmulo de despesas, balanço de 2025 não auditado e rejeição de aportes pelos cotistas.

A Master Corretora teve a liquidação decretada em 18 de novembro de 2025. Mais de 11 meses depois, três fundos imobiliários continuam sob sua administração: o Macam Shopping, o CMX Realty III (R$ 118,2 milhões em patrimônio) e o Reag Recebíveis Imobiliários (R$ 25 milhões em ativos). Juntos, somam cerca de R$ 610 milhões em patrimônio.

Impasse e Desvalorização das Cotas

O Macam Shopping, principal ativo do fundo de mesmo nome, é composto por ações da Blue Malls. O fundo possui 120 cotistas, incluindo a Serpros (fundo de pensão dos funcionários do Serpro) e institutos de previdência municipais de Betim, Pouso Alegre (MG), Angra dos Reis, Mesquita (RJ), Guarujá, Ilhabela e Santo Antônio de Posse (SP).

A única forma de saída para os cotistas é vender as cotas na B3, onde são negociadas perto de R$ 100, um valor muito inferior ao patrimonial de R$ 535. A falta de liquidez e compradores leva institutos de previdência a manterem as cotas em carteira, apesar de perdas significativas. O fundo não distribui rendimentos desde janeiro de 2025 e acumula R$ 26,9 milhões em despesas atrasadas.

O CMX Realty III, destinado a investidores profissionais, tem um único cotista e seu dinheiro aplicado em duas empresas fechadas. A gestão foi trocada em outubro de 2025 para a Acura Gestora, que teve sua liquidação extrajudicial decretada em junho de 2026.

O Reag Recebíveis Imobiliários, destinado a investidores qualificados, teve sua administradora, a Reag Trust DTVM (rebatizada de CBSF DTVM), liquidada em janeiro de 2026. Em junho, a administração do fundo passou para a Master Corretora, que aceitou a função por meio de seu liquidante.

Próximos Passos e Ações Legais

A EFB Regimes Especiais, em edital, lembrou que, se a assembleia não eleger novo administrador em 30 dias úteis após a liquidação, o Banco Central deve nomear um liquidante. O prazo de 30 dias úteis venceu no início de janeiro, mas não há registro de nomeação pelo Banco Central.

A CVM intimou a administradora a convocar “imediatamente” a assembleia de cotistas em maio de 2026. A consulta formal só foi publicada em 10 de agosto, 82 dias depois, e o resultado, apurado em 4 de setembro, manteve a situação atual. Os cotistas rejeitaram propostas de novas administrações e a destituição da atual gestora.

A Master Corretora, a EFB Regimes Especiais, a Axor, o BRB, a Trustee, a Legatus, a Acura, a REAG, e os institutos de previdência citados foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação da reportagem.

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