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Cuba vê risco real de invasão pelos EUA sob governo Trump, diz embaixador

30 de outubro de 2026
Cuba vê risco real de invasão pelos EUA sob governo Trump, diz embaixador

Destaques

  • •Embaixador cubano no Brasil alerta para a possibilidade de uma invasão militar dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump.
  • •O governo cubano alega que os EUA têm intensificado sanções e pressão econômica, classificando a ilha como uma 'ameaça incomum e extraordinária'.
  • •Cuba se prepara para uma possível agressão, citando sua história de luta e alertando para as consequências regionais de um conflito.

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, declarou que o governo e o povo cubano consideram real o risco de uma invasão militar pelos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump. Segundo o diplomata, o país está se preparando para uma possível agressão, que não pode ser ignorada pelas autoridades americanas. "O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA. O governo e o povo cubanos não podem ignorar as pretensões dos EUA de uma invasão a Cuba. Isso é real", afirmou Palomo em entrevista à Agência Brasil.

O representante cubano apelou à comunidade internacional e à imprensa para que não aceitem uma agressão militar contra a ilha. "Não é possível normalizar uma agressão militar contra Cuba", disse. Ele ressaltou que a maioria do povo cubano defende a soberania do país e está preparado para lutar contra uma invasão estrangeira, citando a história e a tradição de luta de Cuba. "Cuba tem história, tem tradição de luta. Cuba tem tradição de preparação da população para essa luta, que é uma questão que não pode ser ignorada pelos EUA", explicou.

Aumento da pressão e sanções americanas

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, os Estados Unidos têm aumentado a pressão sobre Havana com uma série de novas sanções. Entre elas, o bloqueio energético, que chegou a deixar Cuba por três meses sem receber petróleo. Em declarações anteriores, Trump chegou a expressar o desejo de "tomar Cuba" e "cuidar de Cuba" após lidar com o Irã. Ele também sugeriu que um "acordo" poderia ser alcançado, dispensando o uso das forças armadas.

As medidas de "asfixia econômica" contra Cuba têm escalado, resultando na redução de voos internacionais, na saída de empresas hoteleiras estrangeiras e até mesmo da empresa de cartões Visa, impactando o setor de turismo, principal fonte de receita do país. Em janeiro deste ano, a Casa Branca classificou Cuba como uma "ameaça incomum e extraordinária" aos EUA, acusando o país de abrigar adversários americanos e de "roubar informações sensíveis de segurança nacional".

Cuba rebate acusações e alerta para consequências regionais

O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo classificou as acusações dos EUA como "ridículas", argumentando que um país bloqueado e economicamente asfixiado não tem capacidade de representar uma ameaça à primeira potência mundial. "Cuba não é uma ameaça para os EUA. Um país bloqueado, pequeno e economicamente asfixiado não tem a capacidade de pôr em risco a primeira potência do mundo. Essa acusação é ridícula", declarou.

Palomo também alertou que uma agressão militar dos EUA contra Cuba seria um genocídio, considerando a diferença de poder entre uma "potência nuclear" e um "pequeno país" localizado a apenas 90 milhas de distância. Ele destacou a posição geográfica "complicada" de Cuba para os EUA e previu que uma invasão afetaria toda a região, podendo levar cubanos residentes nos EUA a se voltarem contra o governo Trump. "Eles não têm guerras em suas fronteiras há muito tempo. Uma guerra em Cuba vai afetar toda a região. Uma guerra em Cuba pode começar, você não sabe como vai terminar", alertou.

O aperto do cerco econômico faz parte de uma nova ofensiva dos EUA para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia americana na América Latina há mais de seis décadas. O embaixador reconheceu que Cuba enfrenta problemas, mas atribuiu grande parte deles ao bloqueio econômico imposto pelos EUA, que impede o desenvolvimento da nação. "Nós cubanos temos problemas, mas os cubanos têm o direito de resolver os próprios problemas por vontade própria vontade. Não por uma agressão militar. Esse não é o caminho", disse.

Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA impôs novas sanções contra empresas de "tecnologias sensíveis" ligadas a Cuba. Recentemente, a Justiça dos EUA chegou a decretar a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.

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