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Crise no cacau impulsiona chocolate de laboratório e substitutos

02 de novembro de 2026
Crise no cacau impulsiona chocolate de laboratório e substitutos

Destaques

  • •A escassez global de cacau, com preços disparando, leva à busca por alternativas como chocolate cultivado em laboratório e substitutos feitos de outros ingredientes.
  • •Empresas como Celleste e California Cultured desenvolvem cacau a partir de células, enquanto a Voyage Foods cria substitutos com sementes de uva e proteína de girassol.
  • •A expectativa é que o cacau cultivado em laboratório chegue ao mercado até 2028, com o objetivo de manter o chocolate acessível diante da instabilidade climática e econômica que afeta as lavouras tradicionais.

A crise de abastecimento de cacau, impulsionada por eventos climáticos extremos e instabilidade econômica, tem levado a um aumento drástico nos preços dos grãos, com o valor por tonelada atingindo picos de mais de US$ 12 mil em 2024. Essa escassez global está abrindo caminho para inovações no setor de chocolates, com o desenvolvimento de alternativas como o cacau cultivado em laboratório e substitutos feitos a partir de outros ingredientes.

O que causa a crise do cacau

Os preços dos doces já subiram 44% desde 2021, segundo o Bureau of Labor Statistics. A produção de cacau, concentrada em algumas das regiões mais pobres do planeta, sofre com secas, enchentes e a falta de recursos dos produtores para modernizar suas práticas agrícolas. O preço dos grãos de cacau atingiu um pico de mais de US$ 12 mil por tonelada em 2024, um salto significativo em relação aos US$ 2 mil a US$ 3 mil da década anterior, embora tenha se estabilizado entre US$ 5 mil e US$ 6 mil.

Eventos climáticos extremos, como secas seguidas de enchentes, e crises econômicas que empobreceram os produtores são os principais fatores por trás da atual crise de abastecimento de cacau. A sustentabilidade de um sistema agrícola de subsistência em regiões vulneráveis também é questionada.

Alternativas em desenvolvimento

Empreendedores estão utilizando técnicas avançadas para criar células de cacau "bioidênticas" em laboratório, resultando nas primeiras barras de chocolate experimental cultivado em tanque. Outras empresas focam em torrefação e fermentação de resíduos agrícolas para criar substitutos de sabor e textura semelhantes aos ingredientes tradicionais do chocolate.

Cerca de uma dúzia de startups nos Estados Unidos, Europa, Israel e Ásia trabalham com chocolate cultivado em laboratório ou alternativas com sabor de chocolate. Especialistas desafiam os consumidores a perceberem a diferença entre o produto tradicional e as novas criações.

Cacau cultivado em laboratório: o futuro?

Empresas como a Celleste e a California Cultured estão na vanguarda do desenvolvimento de cacau a partir de células. A indústria farmacêutica já utiliza processos semelhantes para produzir medicamentos, mas o desafio para a produção de alimentos é reduzir os custos em até dez vezes. A California Cultured busca cultivar células com alta concentração de flavanóis e sem metais pesados, visando consumidores preocupados com a saúde.

A Celleste planeja produzir cacau em biorreatores de mil litros, cada um capaz de gerar uma tonelada por ano, a partir de apenas dois grãos, em contraste com os cinco acres de árvores necessários atualmente. A empresa espera obter aprovação regulatória nos EUA até 2028 e vender manteiga e pó de cacau como fonte complementar para fabricantes.

Substitutos de curto prazo

A Voyage Foods, por exemplo, transforma sementes de uva torradas e moídas, resíduos da indústria vinícola, em uma alternativa ao cacau, combinando-as com farinha de proteína de girassol, óleos, açúcar e aromas. Sua nova fábrica em Ohio tem capacidade para produzir 10 mil toneladas de substituto de cacau por ano, com a Cargill como investidora e distribuidora global.

Outras empresas como a Win-Win (Reino Unido) e a Prefer (Singapura) também utilizam misturas de grãos e sementes torradas. A The Hershey Company, por sua vez, alterou a rotulagem de alguns produtos para "doces de chocolate" em vez de "chocolate ao leite", incorporando gorduras diferentes da manteiga de cacau. A empresa afirma que cada ingrediente tem uma finalidade específica para sabor, desempenho e experiência do consumidor.

A proposta dessas alternativas é manter o chocolate acessível e disponível para um número crescente de consumidores globais, mesmo diante das adversidades climáticas e econômicas que afetam as lavouras tradicionais de cacau.

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