Crise na Casas Bahia afeta multinacionais e cadeias de fornecedores no Brasil

Destaques
- •Multinacionais Whirlpool e Electrolux reportam perdas e provisões devido à exposição à Casas Bahia.
- •A crise de inadimplência na varejista se espalha por diversos setores, impactando fornecedores e a indústria.
- •Especialistas alertam para a generalização da crise e o aumento de pedidos de recuperação judicial no país.
A onda de reestruturações de grandes companhias no Brasil está gerando um efeito dominó, impactando cadeias de fornecedores e os resultados de multinacionais. A Whirlpool, fabricante global de eletrodomésticos, divulgou uma baixa contábil de US$ 100 milhões no terceiro trimestre devido à sua exposição à Casas Bahia, embora afirme estar protegida por seguro.
A sueca Electrolux, outra gigante do setor, também sentiu o impacto, informando uma provisão para perdas relacionada a um grande cliente no Brasil, que pesou em seu resultado operacional. Embora não tenha divulgado números ou o nome do cliente, é conhecido que a Electrolux possuía um crédito de R$ 700 milhões contra a Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial para reestruturar uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
Crise de inadimplência generalizada
Segundo Paulo Campana, sócio da Campana Pacca, a situação configura uma crise de inadimplência que abrange praticamente todos os setores econômicos brasileiros e tende a se tornar ainda mais generalizada. Ele observa que, diferentemente de crises anteriores, as causas atuais são macroeconômicas e afetam todos os segmentos.
Daniel Lasse, CEO da Value Capital, corrobora essa visão, afirmando que o efeito dominó atinge a indústria, serviços e transportadoras. Ele relata que algumas empresas sofreram calotes que equivalem a três anos de seu lucro líquido médio, destacando que o Brasil é composto por pequenas e médias empresas que sofrem severamente.
Impacto nas cadeias de suprimentos
A crise na Casas Bahia afeta diretamente grandes fornecedores de eletrodomésticos de marcas próprias brasileiras, que estão entrando em recuperação judicial. O descasamento financeiro pode chegar a seis meses, desde a aquisição de matéria-prima, muitas vezes importada da China, até o recebimento das vendas feitas à varejista.
Essas fabricantes de linha branca frequentemente financiam a matéria-prima e utilizam Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) para antecipar recebíveis. Com a taxa Selic em dois dígitos, a margem de lucro desaparece, tornando a operação insustentável. A Dexco, um dos maiores vendedores de madeira para a Bartira (fabricante de móveis da Casas Bahia), também reconheceu uma perda de crédito de R$ 20 milhões relacionada ao caso.
Setores afetados e próximos passos
Além do varejo, o setor farmacêutico também enfrenta problemas semelhantes. A Elfa, que entrou com medida protetiva contra credores para reestruturar uma dívida de R$ 1,86 bilhão, opera em uma indústria com problemas e possui um ciclo financeiro longo, que pode chegar a 180 dias, somado à glosa de planos de saúde.
A crise na Casas Bahia e seus desdobramentos indicam um cenário de aumento de recuperações judiciais e dificuldades financeiras para empresas em diversos setores da economia brasileira. A situação exige atenção de investidores e empresários quanto aos riscos de crédito e à saúde financeira de seus parceiros comerciais.



