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Agronegócio brasileiro é visto como sustentável por 51% dos brasileiros, aponta pesquisa

08 de novembro de 2026
Agronegócio brasileiro é visto como sustentável por 51% dos brasileiros, aponta pesquisa

Destaques

  • •Pesquisa Ipsos Rep360º revela que 51% dos brasileiros avaliam positivamente a contribuição do agronegócio para o desenvolvimento sustentável.
  • •Setor supera meios de pagamento, alimentos e bebidas, e energia em percepção positiva, apesar de controvérsias ambientais frequentes.
  • •Expectativa é de que o setor continue a demonstrar sua sustentabilidade com indicadores mensuráveis e adoção de certificações internacionais.

O agronegócio brasileiro é o setor econômico com a maior proporção de avaliações positivas em relação à sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, de acordo com a pesquisa Ipsos Rep360º. O levantamento aponta que 51% dos entrevistados consideram a atuação do setor como boa ou muito boa nessa área, superando outros segmentos como meios de pagamento (50%), alimentos e bebidas (49%) e energia (47%).

A pesquisa destaca que a liderança do agronegócio em percepção positiva é um dos achados mais relevantes, especialmente considerando que o setor é frequentemente associado a debates sobre questões ambientais. A Ipsos sugere que a percepção da importância econômica, da geração de empregos e da presença do setor no cotidiano pode influenciar essa avaliação pública.

Quando analisada a diferença entre avaliações positivas e negativas, o agronegócio figura na sétima posição, com um saldo de 32 pontos. Meios de pagamento lideram com 39 pontos, seguidos por farmácias (38 pontos) e alimentos/bebidas (36 pontos). O setor de tabaco é o único com resultado desfavorável, apresentando um saldo negativo de 29 pontos.

A evolução da percepção pública

Mônika Bergamaschi, presidente da Abag/RP e diretora da Abag nacional, considera o resultado positivo e ressalta a melhora na imagem do setor rural em comparação com o passado. Ela relembra que a própria criação da Abag/RP, há 26 anos, foi motivada por uma pesquisa que indicava uma imagem negativa do setor, comparável apenas à de políticos e funcionários públicos.

Segundo Bergamaschi, a melhora na percepção é resultado de um conjunto de iniciativas de comunicação e educação promovidas por entidades representativas, empresas e instituições de pesquisa. O setor tem buscado demonstrar um agronegócio moderno, com práticas voltadas para a prevenção de incêndios, uso correto de defensivos e proteção de recursos naturais.

No entanto, ela alerta que a realidade agrícola brasileira não é uniforme. Enquanto algumas propriedades adotam tecnologias avançadas, outras ainda utilizam métodos rudimentares. Bergamaschi defende a diferenciação entre produtores que investem em sustentabilidade e aqueles que cometem irregularidades, com fiscalização e punições rigorosas para casos de desmatamento ilegal e exploração de trabalhadores.

Tecnologia e ciência impulsionando a sustentabilidade

Clenio Pillo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, atribui a mudança de percepção à trajetória da agricultura brasileira. O país, que era importador de alimentos nos anos 1970, tornou-se um dos principais produtores e exportadores globais, com uma base científica e tecnológica que aumentou a produtividade e desenvolveu sistemas adaptados às condições tropicais.

Pillo destaca avanços como o sistema de plantio direto, utilizado em cerca de 65% da área cultivada com lavouras temporárias no Brasil, cobrindo 45 milhões de hectares. Outro avanço é a fixação biológica de nitrogênio, que substitui parte de fertilizantes nitrogenados por processos biológicos, gerando uma economia estimada em R$ 75 bilhões por ano e reduzindo emissões de gases de efeito estufa.

Ele enfatiza que a sustentabilidade precisa ser comprovada com indicadores mensuráveis. O desenvolvimento de ferramentas para calcular emissões de carbono, monitorar a qualidade do solo e avaliar impactos é crucial. Pillo também defende que o aumento da produção pode vir da recuperação de pastagens degradadas e da intensificação sustentável, sem a necessidade de abrir novas áreas.

Iniciativas práticas e desafios de comunicação

Iniciativas como a restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a recuperação de nascentes demonstram como a atividade agropecuária pode contribuir para a proteção ambiental. Em Cruzeiro (SP), o Sindicato Rural lidera projetos que já recuperaram ou estão em processo de restauração de aproximadamente mil hectares, com apoio de recursos hídricos e parcerias privadas.

Matheus Kfouri Marino, presidente da Coopercitrus, ressalta o papel das cooperativas em levar conhecimento e inovação aos produtores, especialmente os pequenos e médios, que representam cerca de 80% do total. Ele afirma que o uso de tecnologia aumenta a produtividade e preserva o meio ambiente, orientando a aplicação de insumos e a melhoria do manejo do solo.

Apesar dos avanços, Marino identifica um desafio de comunicação, principalmente nos grandes centros urbanos, onde persistem associações negativas entre agronegócio e questões ambientais. Para os próximos anos, ele defende a elaboração de inventários de carbono, o estabelecimento de metas de redução de emissões e a adoção de certificações e relatórios de sustentabilidade com metodologias reconhecidas internacionalmente.

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