Corrupção se torna 2ª maior preocupação de eleitores nos EUA, diz pesquisa
Destaques
- •Pesquisa aponta que 76% dos americanos acreditam que políticos priorizam enriquecimento pessoal sobre bem-estar da população.
- •Custo de vida lidera preocupações eleitorais, seguido por corrupção (12%), imigração e saúde.
- •Eleitores defendem restrição à influência de empresas e lobbies e maior taxação de bilionários.
A corrupção no governo norte-americano emergiu como a segunda maior preocupação dos eleitores dos Estados Unidos, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato. Uma pesquisa do instituto Harris Poll, encomendada pelo jornal britânico The Guardian e divulgada em 30 de outubro, revelou que 76% dos entrevistados acreditam que os políticos estão mais interessados em enriquecer do que em melhorar as condições econômicas da população.
Quase nove em cada dez norte-americanos consideram a corrupção governamental um problema sério. Na definição da pesquisa, corrupção é a prática de autoridades eleitas colocarem seus interesses financeiros ou de seus financiadores acima do interesse público. Para 65% dos entrevistados, a corrupção política é mais preocupante do que o poder das grandes empresas, apontado por 29%.
Percepção partidária e custo de vida
A percepção sobre a corrupção varia entre os partidos. Cerca de 40% dos entrevistados, incluindo 29% dos republicanos, apontam o Partido Republicano como o que apresenta problemas mais graves de corrupção financeira. Outros 21% atribuem o problema principalmente aos democratas, enquanto 32% consideram que ambas as legendas são igualmente afetadas.
Entre os eleitores independentes, 34% indicam os republicanos como o partido com maior problema de corrupção, contra 13% que mencionam os democratas. A maior parcela desse grupo, 42%, acredita que ambos os partidos enfrentam o mesmo nível de corrupção.
Segundo John Gerzema, diretor da Harris Poll, a corrupção governamental se tornou a segunda questão mais importante nas eleições de meio de mandato, ficando atrás apenas do custo de vida. Ele declarou que os norte-americanos estão indignados com líderes que consideram responsáveis por suas crescentes dificuldades econômicas e que lucram com elas.
O custo de vida permanece como o principal tema eleitoral, mencionado por 36% dos entrevistados como o fator mais importante na definição do voto. A corrupção aparece em segundo lugar, com 12%, seguida por imigração (9%), saúde (7%) e impostos (5%). Outros assuntos avaliados incluem habitação, aborto, criminalidade, segurança e inteligência artificial.
Influência do dinheiro e propostas de solução
O jornal The Guardian destaca que a influência do dinheiro nas eleições norte-americanas atingiu patamares recordes em 2026. Os gastos com publicidade eleitoral já somam US$ 11,2 bilhões, tornando a disputa a mais cara da história das eleições de meio de mandato. Um levantamento do Brennan Center for Justice, citado pela reportagem, mostra que apenas 40 grandes doadores contribuíram com US$ 2,5 bilhões para as campanhas.
Na última semana, o bilionário Michael Bloomberg anunciou uma contribuição de US$ 80 milhões para candidatos democratas, enquanto Trump informou que seu comitê de ação política destinaria US$ 400 milhões aos republicanos. Para 32% dos eleitores, a principal medida para combater a corrupção deveria ser restringir a influência das empresas e dos grupos de lobby sobre as decisões governamentais. Outros 29% defendem a retirada de tarifas sobre produtos importados, enquanto 24% consideram prioritário limitar os aumentos de preços praticados pelas empresas.
Metade dos entrevistados acredita que os bilionários não pagam uma parcela justa de impostos. Entre os independentes, esse percentual chega a 56%, enquanto entre os republicanos é de 28%.
Mandato de Trump e finanças pessoais
O segundo mandato de Donald Trump tem sido marcado por mudanças na administração federal e pelo crescimento da influência de grandes financiadores privados na política norte-americana. O jornal britânico relata que Trump promoveu a demolição da Ala Leste da Casa Branca para construir um salão de festas avaliado em US$ 400 milhões, dos quais US$ 335 milhões seriam financiados por doadores privados, incluindo empresas como Apple e Nvidia.
O governo federal perdeu mais de 420 mil funcionários desde o retorno de Trump à Presidência, após cortes de pessoal conduzidos por Elon Musk, que destinou quase US$ 300 milhões à campanha presidencial republicana de 2024. Ao mesmo tempo, os filhos de Trump administram negócios familiares no setor de criptomoedas que, segundo o jornal britânico, renderam aproximadamente US$ 1 bilhão ao presidente. Trump também aceitou um avião particular avaliado em US$ 400 milhões como presente da família real do Catar, o que gerou protestos dos democratas.
Matérias originais
- Corrupção está entre maiores preocupações dos eleitores dos EUA, aponta pesquisa · operamundi.uol.com.br



