Cores eleitorais nos EUA: por que o vermelho é conservador e o azul é progressista
Destaques
- •As cores vermelho e azul, usadas para representar os partidos políticos nos Estados Unidos, têm significados históricos invertidos em relação ao Brasil.
- •A associação do vermelho à esquerda remonta à Revolução Francesa, enquanto o azul para conservadores nos EUA se consolidou a partir da Guerra Civil e da cobertura televisiva em 2000.
- •A compreensão da inversão de cores é crucial para interpretar a cobertura das eleições americanas e evitar equívocos sobre o alinhamento político.
A cobertura das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em novembro, pode levar o eleitor brasileiro a acreditar que a "onda azul" representa uma vitória para Donald Trump e a direita americana. No entanto, essa interpretação é um equívoco devido à inversão histórica do significado das cores políticas entre os dois países.
No Brasil, o vermelho é tradicionalmente associado à esquerda e o azul à direita. Nos Estados Unidos, essa conotação é invertida, com o vermelho representando o conservadorismo e o azul o progressismo. Essa distinção é fundamental para a correta compreensão do cenário político americano.
A história do vermelho com a esquerda
A associação da cor vermelha com movimentos revolucionários e progressistas tem raízes profundas na história, começando na Revolução Francesa. Por volta de 1789, bandeiras vermelhas em Paris eram usadas para sinalizar a lei marcial, indicando que reuniões públicas poderiam ser reprimidas violentamente pelo rei Luís XVI.
Em 1791, durante um protesto no Campo de Marte, a Guarda Nacional atirou contra a multidão sob a lei marcial, representada pela bandeira vermelha. Em resposta, os jacobinos, ala mais radical do movimento antimonarquista, apropriaram-se do vermelho, transformando-o em símbolo do sangue derramado pelos cidadãos. Essa associação se fortaleceu em insurreições posteriores e em 1848, quando republicanos e socialistas tentaram oficializar a bandeira vermelha.
Desde então, grupos progressistas, trabalhistas, comunistas e socialistas mantiveram o vermelho como cor predominante, como é o caso do Partido Comunista Chinês e de partidos à esquerda no Brasil.
A inversão de cores nos Estados Unidos
A história americana também teve uma relação inicial entre o vermelho e a esquerda, e o azul e o conservadorismo. A associação do azul com o conservadorismo é ligada aos uniformes azuis do exército de Abraham Lincoln, do Partido Republicano, durante a Guerra Civil.
Durante o período do "Red Scare" (Medo Vermelho), o temor à disseminação do comunismo levou políticos de ambos os partidos a optarem por cores frias, como o azul, em suas campanhas. Contudo, até o final do século XX, as cores usadas para representar cada partido variavam entre as emissoras de televisão.
A configuração atual, com o vermelho para republicanos e o azul para democratas, consolidou-se em 2000. Diante de uma apuração presidencial acirrada e prolongada, as emissoras de TV buscaram padronizar a comunicação para evitar confusão. Canais como CBS e ABC já utilizavam vermelho para republicanos e azul para democratas desde os anos 80, um padrão que a CNN adotou em 1992.
Atualmente, essas cores são sinônimos dos partidos e são usadas para descrever as inclinações políticas de cidades e estados americanos. O roxo, por sua vez, passou a indicar uma flutuação de apoio entre ambos os lados.



