COP17: Conferência da ONU sobre Biodiversidade tem balanço negativo em metas

Destaques
- •A 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17) encerrou com avaliação negativa sobre o cumprimento das metas globais de proteção à biodiversidade.
- •Menos da metade das metas nacionais relacionadas ao Marco Global de Kunming-Montreal estão em vias de serem alcançadas, com lacunas significativas em dados e monitoramento.
- •O financiamento para a biodiversidade e a redução de subsídios prejudiciais à natureza são pontos cruciais para os próximos passos.
A 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU, realizada em Yerevan, na Armênia, terminou com uma avaliação pouco positiva sobre os avanços nas ações globais para conter a crise da biodiversidade. O documento final, ainda em discussão, aponta que menos da metade das metas nacionais estabelecidas pelo Marco Global de Kunming-Montreal (GBF) para 2030 estão em vias de serem alcançadas, evidenciando lacunas nos dados e na capacidade de monitoramento dos países signatários.
Avanços e Desafios nas Metas
Entre os progressos destacados, estão medidas para deter a extinção de espécies, o aprimoramento do manejo sustentável de animais silvestres e ações de Soluções Baseadas na Natureza para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Houve também avanços na aplicação de práticas sustentáveis em sistemas produtivos como agricultura, pesca e silvicultura, com foco na biodiversidade e na restauração das funções naturais.
Por outro lado, os países apontaram dificuldades significativas em metas relacionadas à redução de espécies exóticas invasoras e à promoção de escolhas sustentáveis, como a diminuição do desperdício de alimentos. A conectividade de áreas de conservação, uma contribuição brasileira, também foi citada como uma meta com menor avanço.
Financiamento e Subsídios Prejudiciais
Um dos maiores obstáculos apontados, especialmente por países menos avançados e pequenos Estados insulares, é a falta de meios de implementação suficientes, incluindo a escassez de recursos para atores não governamentais como povos indígenas e comunidades locais. A meta do Marco Global é mobilizar US$ 200 bilhões por ano até 2030, com US$ 30 bilhões em financiamento público internacional.
Na COP17, foram anunciados US$ 60 milhões para o Fundo Global para a Biodiversidade (GBFF) e compromissos de cerca de US$ 4,4 milhões com o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Especialistas consideram esses valores modestos, defendendo a ampliação do financiamento por meio de fundos multilaterais, do setor privado e do redirecionamento de US$ 500 bilhões em subsídios prejudiciais à natureza.
O Que Vem a Seguir
A diretora executiva da LACLIMA, Caroline Rocha, ressaltou que o sucesso da conferência dependerá da capacidade das medidas adotadas em fazer com que os recursos prometidos cheguem a quem precisa. A diversificação das ferramentas de financiamento e a inclusão de mais países como doadores são cruciais para fechar a lacuna de financiamento para a biodiversidade.
Matérias originais
- Países consideram insuficientes ações contra crise da biodiversidade · agenciabrasil.ebc.com.br



