Cooperativa Cotribá entra em liquidação com passivo de R$ 1,4 bilhão

Destaques
- •Cooperativa Cotribá, a mais antiga do Brasil, aprovou sua dissolução voluntária e liquidação extrajudicial.
- •O passivo declarado é de R$ 1,427 bilhão, com 20.614 credores.
- •As atividades comerciais serão mantidas durante o processo de reorganização financeira.
A Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), sediada no Rio Grande do Sul, aprovou em assembleia a sua dissolução voluntária e o início de um processo de liquidação extrajudicial. A decisão, tomada por unanimidade por 375 associados presentes em Ibirubá (RS), visa reestruturar a cooperativa diante de um passivo declarado de R$ 1,427 bilhão.
O presidente da Cotribá, Sergio Strentzke, foi nomeado liquidante, com a responsabilidade de conduzir as negociações com os credores e administrar o patrimônio da entidade. Entre suas atribuições estão a renegociação de dívidas, a contratação de empréstimos e financiamentos, a venda de bens e a oferta de ativos em garantia. O processo será acompanhado por um conselho fiscal, com prestação de contas semestral ou conforme a necessidade.
Atividades comerciais serão mantidas
Apesar da liquidação, a Cotribá manterá suas atividades comerciais em funcionamento. O objetivo é continuar atendendo os produtores rurais enquanto busca alternativas para gerenciar suas obrigações financeiras. A continuidade das operações, no entanto, dependerá da geração de caixa, do sucesso nas negociações com os credores e das decisões sobre a reorganização patrimonial.
A cooperativa, fundada em 1911, é considerada a mais antiga do Brasil ainda em atividade no setor agropecuário. Ela atua no recebimento, armazenagem e comercialização de grãos, além de fornecer insumos agrícolas e outros serviços ao setor.
Recuperação judicial foi negada
A aprovação da liquidação extrajudicial ocorre após a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) ter negado o pedido de recuperação judicial da Cotribá em setembro. O pedido, apresentado em abril, foi reformado em segunda instância, pois a cooperativa, classificada como sociedade simples, não teria legitimidade para utilizar o instrumento legal destinado a empresários e sociedades empresárias.
Na ocasião do pedido de recuperação judicial, a Cotribá informou um passivo de R$ 1,427 bilhão, distribuído entre 20.614 credores. Este montante é o mesmo declarado na assembleia que aprovou a liquidação e não representa necessariamente uma atualização após o período.
Crise atribuída a fatores externos
A cooperativa atribui sua crise financeira a uma combinação de fatores, incluindo a queda nas cotações das commodities, custos operacionais elevados, inadimplência e os efeitos de eventos climáticos que afetaram o Rio Grande do Sul.
A liquidação extrajudicial visa centralizar as negociações com credores e permitir uma avaliação detalhada dos ativos da entidade. O processo busca definir a melhor forma de administrar as obrigações e, ao mesmo tempo, preservar a estrutura operacional e os serviços prestados aos produtores rurais.



