Convertr: Plataforma de moda sofre ataque e dados de clientes são expostos

Destaques
- •Criminosos inseriram código malicioso na plataforma Convertr, afetando dezenas de marcas de moda brasileiras.
- •Dados como número de cartão, validade, CVV, nome do titular e CPF foram capturados.
- •Consumidores que compraram desde 24 de outubro devem contatar seus bancos para bloquear cartões e monitorar o CPF.
Um ataque cibernético explorou uma falha na plataforma Convertr, utilizada por dezenas de marcas de moda no Brasil, para roubar dados de cartões de crédito e CPFs de consumidores. Segundo a empresa de segurança Sansec, o código malicioso estava ativo desde sábado (24) e atingia as páginas de pagamento das lojas que utilizam o serviço.
O programa, conhecido como skimmer, foi inserido em um arquivo de análise de visitas da ferramenta Plausible, que é carregado pelas lojas. Criminosos acrescentaram um trecho de código ofuscado que capturava informações como número do cartão, data de validade, código de segurança (CVV), nome do titular e CPF. Esses dados eram então transmitidos para um servidor controlado pelos invasores.
Como o ataque funcionou
O ataque à Convertr é classificado como um ataque à cadeia de fornecimento, pois os criminosos não precisaram invadir cada loja individualmente. Ao comprometer um único arquivo compartilhado pela plataforma, o código malicioso foi distribuído para todas as dezenas de marcas que utilizavam o serviço. A Sansec suspeita que a invasão ocorreu através de uma falha em uma versão desatualizada do Plausible, embora isso ainda não tenha sido confirmado por falta de acesso aos registros do servidor da Convertr.
O programa malicioso era ativado apenas em páginas cujo endereço continha "checkout.convertr". Ao final do pedido, as informações eram enviadas para um servidor dos invasores, identificado pelo endereço 1x0.is.
Resolução e riscos remanescentes
A Convertr confirmou a remoção do código malicioso e a atualização do sistema de análise de visitas na terça-feira (27). A plataforma informou que está notificando lojistas, empresas de pagamento e autoridades sobre o incidente. No entanto, a Sansec alerta que cópias do arquivo contaminado armazenadas nos navegadores dos usuários podem prolongar o risco de exposição por até 24 horas após a limpeza.
A retirada do código não recupera as informações que já foram enviadas aos invasores. A reportagem do Canaltech aguarda retorno da Convertr para obter mais detalhes sobre as medidas adotadas e orientações específicas para os consumidores.
O que fazer após a compra
Para consumidores que realizaram compras com cartão de crédito desde 24 de outubro em páginas com o endereço "checkout.convertr", a Sansec recomenda solicitar imediatamente ao banco o bloqueio e a substituição do cartão. É fundamental acompanhar a fatura, ativar avisos de compras e contestar quaisquer transações não reconhecidas.
O Banco Central orienta verificar todas as transações e habilitar notificações para identificar cobranças desconhecidas. Em caso de fraude, o Ministério da Justiça sugere guardar comprovantes, registrar a ocorrência e entrar em contato com o banco pelos canais oficiais.
Além disso, é importante monitorar o uso do CPF. O Banco Central oferece o serviço Registrato (bcb.gov.br/meubc/registrato) para verificar contas e empréstimos vinculados ao documento. Caso encontre algo desconhecido, procure a instituição responsável.
Para se proteger em futuras compras online, o CERT.br recomenda o uso de cartões virtuais, que possuem dados diferentes do cartão físico. Desconfie também de contatos que alegam a necessidade de operações bancárias para impedir cobranças, pois isso pode ser um golpe.
Matérias originais
- Hackers escondem código que rouba cartão e CPF de quem compra em lojas de moda no Brasil · canaltech.com.br
- Ataque rouba dados de cartões e CPFs em lojas brasileiras · olhardigital.com.br



