Congresso discute voto distrital misto para eleições de deputados federais

Destaques
- •Proposta de reforma política, com voto distrital misto, volta à pauta no Congresso Nacional.
- •O sistema mudaria a eleição de deputados federais, com parte eleita em distritos e outra por lista partidária.
- •A discussão visa reduzir a influência de candidatos com votações expressivas sobre o desempenho de seus partidos.
Lideranças do Centrão voltaram a discutir a adoção do voto distrital misto para a eleição de deputados federais. A proposta, que visa alterar a forma como os parlamentares são eleitos, ganhou força após o bom desempenho de candidatos do PL em eleições recentes, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, que conquistaram milhões de votos e ampliaram a bancada do partido.
Atualmente, o Brasil utiliza o modelo proporcional de lista aberta, onde os votos recebidos por um candidato contribuem para o total de cadeiras conquistadas por sua legenda. No sistema distrital misto, parte dos deputados seria eleita em distritos eleitorais específicos, enquanto outra parcela seria escolhida por listas partidárias. A combinação exata dos dois métodos ainda está em discussão.
Como funcionaria o voto distrital misto?
No modelo atual, o eleitor vota em um candidato a deputado federal, mas o resultado final da eleição para o partido depende da soma dos votos de todos os candidatos da legenda. Candidatos com votações muito altas podem ajudar a eleger outros membros do mesmo partido, mesmo que estes tenham recebido menos votos individualmente.
Com o voto distrital misto, a ideia é que uma parte dos deputados seja eleita diretamente em seus distritos, fortalecendo a ligação do candidato com uma base eleitoral regional. A outra parte seria eleita por meio de listas fechadas ou abertas dos partidos, como ocorre em alguns países.
Essa mudança poderia favorecer candidatos com forte apelo em regiões específicas, em detrimento daqueles que se destacam nacionalmente por meio de redes sociais, por exemplo. A dinâmica de renovação da Câmara e a estratégia de candidaturas dos partidos poderiam ser significativamente alteradas.
Por que a mudança enfrenta resistência?
A principal barreira para a reforma, segundo o cientista político Ivan Fernandes, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), é o próprio Congresso. Parlamentares eleitos pelas regras atuais podem temer que a mudança prejudique suas chances de reeleição, gerando incertezas sobre o futuro político.
Fernandes explica que reformas eleitorais de grande impacto tendem a gerar resistência de grupos que se beneficiam do sistema vigente. Novas lideranças que ganharam espaço com o voto proporcional de lista aberta podem ver sua vantagem diminuir com um modelo diferente.
O cientista político também critica a concepção de reformas eleitorais como resposta a resultados específicos de uma eleição. Ele defende que mudanças estruturais devem ser discutidas com um horizonte de longo prazo, visando o interesse institucional do país, e não o benefício imediato de um grupo específico.
Próximos passos e impacto
A proposta discutida prevê uma transição em 2030, com a adoção do voto distrital misto em 2034. No entanto, as conversas estão em estágio inicial e não há um modelo definitivo definido.
A discussão sobre a reforma política ganha força em momentos de tensão política, quando partidos que percebem perda de apoio buscam novas regras para manter seu poder. A aprovação de uma mudança dessa magnitude exigirá negociações políticas amplas, dada a alteração nas condições de disputa para todos os partidos.
Matérias originais
- Nova regra eleitoral pode mudar força de candidatos como Nikolas e Pavanato · infomoney.com.br



