Conflitos globais desorganizam rotas aéreas e aumentam riscos para aviação civil

Destaques
- •Ataques no Oriente Médio e outras regiões forçam companhias aéreas a desviar rotas, aumentando tempo e custos de voos.
- •Aumento de riscos em trajetos antes considerados seguros, como o espaço aéreo saudita, que agora é classificado como inseguro pela OpsGroup.
- •Companhias aéreas buscam novas rotas, enfrentando desafios como a guerra na Ucrânia e instabilidade no Afeganistão e Paquistão.
Conflitos em diversas partes do mundo têm desorganizado completamente a aviação civil, reduzindo as opções de rotas seguras, especialmente entre a Europa e a Ásia. Aeronaves foram abatidas, terminais destruídos e aviões atingidos no pátio, forçando companhias aéreas a buscar alternativas que muitas vezes implicam em maior tempo de voo e riscos acrescidos.
Ataques recentes dos houthis contra aeroportos na Arábia Saudita, país apoiado pelo Irã, alteraram rotas utilizadas por companhias como British Airways e FedEx. Quando não há fechamento oficial do espaço aéreo, as empresas precisam decidir por conta própria os trajetos, baseando-se em recomendações que frequentemente divergem entre órgãos reguladores, agências de inteligência e consultorias privadas de segurança.
Novas rotas e riscos ampliados
Este ano apresenta um desafio sem precedentes na busca por trajetos seguros. Segundo Mark Zee, fundador da OpsGroup, consultoria independente em segurança da aviação, a discussão agora é sobre o menor risco, e não sobre segurança total. Ele alerta que "menor risco não significa baixo risco".
O voo 198 da British Airways, de Mumbai a Londres, que antes utilizava o espaço aéreo saudita, agora desvia para rotas pela Ásia Central para evitar os ataques dos houthis. Embora o tempo total de viagem não tenha mudado, o novo trajeto envolve riscos relacionados à guerra na Ucrânia e conflitos na fronteira entre o Talibã e o Paquistão, além da falta de controle de tráfego aéreo no Afeganistão.
Companhias aéreas da Índia, proibidas de sobrevoar o Paquistão, enfrentam poucas opções para voos à Europa. A Air India, após usar uma rota pelo centro da Arábia Saudita, agora opta por um trajeto próximo à fronteira norte da Índia e à região de Damasco, na Síria. Essa rota, considerada insegura por alguns órgãos reguladores, tem sido cada vez mais utilizada por empresas como Emirates, Qatar Airways e Turkish Airlines.
Impacto no transporte de cargas e voos de longa distância
O transporte de cargas também é afetado. A FedEx aumentou a duração de voos para destinos como Dubai. Sua nova rota, que passa mais perto da China para encurtar o tempo sobre o Afeganistão e Paquistão, adiciona cinco horas à viagem. Um porta-voz da empresa afirmou que a FedEx monitora a situação e ajusta suas operações.
A Qantas abandonou em março uma de suas rotas mais longas, entre Perth e Londres, por inviabilidade após ajustes para voar pela Ásia Central. Agora, a rota inclui uma parada para abastecimento em Singapura, adicionando cerca de quatro horas ao tempo total.
A origem da preocupação com a segurança
Mark Zee, que em 2014 esteve em um avião que sobrevoava a Crimeia quando o voo MH17 da Malaysia Airlines foi abatido, fundou a OpsGroup após a revelação de que algumas companhias aéreas receberam alertas sobre riscos na região e não os compartilharam. A organização reúne cerca de 10 mil profissionais da aviação.
Na semana passada, a OpsGroup declarou que o espaço aéreo da Arábia Saudita não é seguro em nenhuma altitude. "Não conseguimos mais encontrar uma rota com risco zero para atravessar o Oriente Médio. Simplesmente não existe", disse Zee.
Matérias originais
- Como as rotas aéreas estão mudando para evitar zonas de guerra · investnews.com.br



