Conflito no Oriente Médio causa poluição por petróleo no Golfo Pérsico

Destaques
- •Ataques no Oriente Médio e no Golfo Pérsico liberam substâncias tóxicas e causam derramamentos de petróleo.
- •Cientistas observam aumento de <b>duas vezes</b> na poluição por petróleo na superfície do Golfo Pérsico, afetando ecossistema sensível.
- •Ameaça à segurança hídrica e ao futuro da pesquisa climática são as principais preocupações.
O conflito no Oriente Médio, com ataques envolvendo EUA, Israel e Irã, está gerando um legado tóxico no Golfo Pérsico. Bombas e mísseis liberaram metais pesados e substâncias químicas nocivas, enquanto ataques contra navios e infraestruturas petrolíferas causaram derramamentos de petróleo visíveis do espaço. Um vazamento em Umm Al Quwain, nos Emirados Árabes Unidos, levou ao fechamento temporário de praias, levantando preocupações sobre a extensão dos danos ambientais em um dos ecossistemas marinhos mais delicados do mundo.
Aumento da poluição por petróleo
Há meses, navios de carga e petroleiros têm sido alvos no Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital. Cientistas da Universidade do Sul da Flórida, utilizando imagens de satélite, observaram um aumento expressivo na poluição por petróleo na superfície do Golfo Pérsico. Brian Barnes, integrante do grupo de oceanógrafos, afirma que a quantidade de petróleo é duas vezes maior do que seria esperado na ausência de um conflito de grande escala.
Embora as imagens de satélite mostrem a poluição na superfície, a espessura da camada de óleo e o impacto na vida selvagem marinha são mais difíceis de avaliar devido ao acesso limitado à região. O Golfo Pérsico abriga uma rica biodiversidade, incluindo espécies de tartarugas marinhas, centenas de peixes e a segunda maior população mundial de dugongos. A primavera, época de reprodução, coincide com o período de intensos combates.
Riscos para a vida marinha e segurança hídrica
O Golfo Pérsico é um corpo hídrico relativamente raso e de extensão reduzida, com apenas um ponto de entrada e saída para o oceano aberto, o Estreito de Ormuz. Essas características dificultam a dispersão e diluição de poluentes. Bernhard Riegl, professor da Nova Southeastern University, alerta que os poluentes não se diluem facilmente e que a Guerra do Golfo de 1991, com o incêndio de centenas de poços de petróleo no Kuwait, serve como um alerta sobre a dificuldade de recuperação ambiental.
Dezenas de milhões de habitantes da região dependem de usinas de dessalinização para obter água potável. Os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo produzem cerca de um terço da água dessalinizada do mundo, com Bahrein e Kuwait dependendo quase inteiramente desse processo. A poluição por petróleo pode danificar essas instalações, colocando em risco o abastecimento de água potável.
Um laboratório natural sob ameaça
As altas temperaturas do Golfo Pérsico, que se aproximam das condições esperadas para mares tropicais em 2100, o tornam um laboratório natural para entender os impactos das mudanças climáticas. O ecossistema abriga recursos genéticos valiosos e adaptações que podem ser cruciais para o futuro. No entanto, a atual contaminação ameaça prejudicar a compreensão científica desses processos. Razan Khalifa Al Mubarak, enviada especial dos Emirados Árabes Unidos, defendeu o fim dos ataques, alertando que a perda de ecossistemas e espécies pode ser irrecuperável.
Matérias originais
- Guerra no Irã está deixando seu legado tóxico no Golfo Pérsico · cnnbrasil.com.br


