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Confiança em plataformas digitais segue estável no Brasil, aponta estudo

04 de novembro de 2026
Confiança em plataformas digitais segue estável no Brasil, aponta estudo

Destaques

  • •Pesquisa do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital revela estabilidade na percepção dos brasileiros sobre plataformas digitais.
  • •Apesar da implementação do ECA Digital, a confiança na proteção de crianças e adolescentes em ambientes online não apresentou melhora significativa.
  • •Crescimento desigual no conhecimento sobre inteligência artificial aponta para nova fase de exclusão digital.

A percepção dos brasileiros sobre a segurança em ambientes digitais permanece praticamente inalterada, com quem confia tendendo a manter essa posição e quem desconfia seguindo cético. A nova edição do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital, referente ao terceiro trimestre de 2026, aponta que 77% dos que menos confiavam nas plataformas continuam céticos, enquanto 70% dos que mais confiavam mantêm a mesma confiança. Eventos recentes de relevância nacional, como a implementação do ECA Digital e o uso intenso de redes sociais em campanhas eleitorais, tiveram pouco impacto na opinião pública.

Segundo Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do centro de pesquisas Reglab, a confiança no ambiente digital é uma característica mais estável do indivíduo do que uma opinião volátil. Ele explica que campanhas e episódios pontuais afetam pouco essa confiança, que é construída e perdida de forma lenta.

Confiança em redes sociais e conteúdo

O estudo avaliou 26 plataformas em cinco categorias: redes sociais, streaming, inteligência artificial, governo digital e economia de plataforma. Em quase todas, a confiança percebida é alta e similar, tanto nas plataformas quanto em seus conteúdos. A exceção são as redes sociais, onde 63% confiam no serviço, mas apenas 55% confiam nas informações que circulam.

Thais Palanca, pesquisadora e autora do estudo, atribui essa diferença à dinâmica das redes sociais, que permitem a circulação de conteúdos sem curadoria ou checagem prévia. Ela sugere que as regras de moderação e transparência devem focar na qualidade do conteúdo que chega ao usuário.

Proteção de crianças e adolescentes sob o ECA Digital

A percepção de segurança varia demograficamente, especialmente em relação à proteção de adolescentes. Apenas 48,7% das mulheres entrevistadas concordaram que as plataformas protegem crianças e adolescentes, contra 55,2% dos homens. Os pesquisadores apontam que as mulheres, por concentrarem o trabalho de cuidado, estão mais próximas da vida online de filhos e dependentes.

O ECA Digital, que entrou em vigor em março deste ano, impõe novas obrigações às plataformas para garantir a segurança, privacidade e proteção de dados de menores. No entanto, mais de seis meses após sua implementação, a percepção pública sobre a segurança de menores não melhorou. O relatório conclui que o efeito do ECA Digital sobre a confiança dependerá mais da implementação percebida por quem acompanha o uso das plataformas pelos jovens, em grande parte mulheres.

Crescimento desigual no conhecimento sobre IA

O conhecimento geral sobre as plataformas cresceu, com 7 em cada 10 participantes afirmando conhecer todas as plataformas examinadas, um aumento em relação aos levantamentos anteriores. No entanto, esse crescimento tem sido desigual, especialmente na categoria de inteligência artificial (IA).

O conhecimento sobre IA avançou mais entre as camadas sociais mais altas, ampliando a distância para as classes populares. Enquanto 97,3% dos mais ricos conhecem as principais IAs, apenas 85,4% dos mais pobres o fazem. Essa desigualdade no conhecimento, habilidade e uso marca uma nova fase da exclusão digital, segundo o estudo.

Marina Garrote, diretora de operações e pesquisa do Reglab, afirma que o desafio das políticas públicas agora é o letramento tecnológico para evitar que as classes populares fiquem para trás na nova economia.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na Revista DCS em 2026, intitulado "ECA DIGITAL: DIREITOS, PROTEÇÃO E SEGURANÇA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA INTERNET", analisou as contribuições do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente para a garantia de direitos, proteção integral e segurança infantojuvenil na internet brasileira. A pesquisa qualitativa, baseada em revisão de literatura, identificou vulnerabilidades como superexposição infantil e tratamento inadequado de dados pessoais.

O estudo evidenciou que a efetividade da legislação depende da articulação entre fiscalização estatal, responsabilização empresarial, formação educacional e acompanhamento familiar. Concluiu-se que o ECA Digital representa um avanço normativo, mas sua concretização exige estratégias interinstitucionais de prevenção, monitoramento e promoção da cidadania digital.

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