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Citi rebaixa Motiva (MOTV3) para neutra e eleva preço-alvo para R$ 20,40

22 de outubro de 2026

Destaques

  • •Citi ajusta recomendação da Motiva (MOTV3) de compra para neutra, mas eleva preço-alvo de R$ 16,60 para R$ 20,40.
  • •Queda na recomendação se deve ao potencial de valorização limitado após alta recente das ações, apesar de fundamentos positivos.
  • •Acompanhar a evolução do tráfego nas rodovias, a venda da divisão de aeroportos e a aprovação de aditivos contratuais.

O banco Citi rebaixou a recomendação das ações da Motiva (MOTV3) de compra para neutra, mas elevou o preço-alvo de R$ 16,60 para R$ 20,40. A mudança, que pode parecer contraditória, reflete uma análise que considera tanto o cenário macroeconômico quanto o potencial de valorização dos papéis após recentes altas.

Por volta das 12h30 desta quinta-feira (22), as ações da Motiva (MOTV3) registravam queda de 2,01%, negociadas a R$ 19,99, enquanto o Ibovespa recuava 1,62%, aos 203.143,00 pontos.

Novo preço-alvo impulsionado por juros baixos

A elevação do preço-alvo da Motiva foi atribuída principalmente à queda na taxa básica de juros (Selic). O Citi utiliza um modelo de fluxo de caixa descontado para o acionista, que considera o custo de capital próprio de 13,5% e todos os contratos de concessão até o vencimento. A redução dos juros diminui o custo de capital, aumentando o valor presente dos fluxos de caixa futuros da companhia.

Apesar da queda nos juros, o banco também projetou um Produto Interno Bruto (PIB) menor para o Brasil, o que impactou negativamente as estimativas de lucro da empresa devido a um tráfego mais fraco nas rodovias no último trimestre. Contudo, o efeito da queda dos juros foi mais significativo na revisão do preço-alvo.

Recomendação neutra: potencial de valorização limitado

A decisão de rebaixar a recomendação para neutra, apesar da visão construtiva sobre os fundamentos da Motiva e sua capacidade de melhorar o portfólio, baseia-se no menor equilíbrio entre o potencial de ganho e o risco de perda. Com a recente valorização, as ações negociam a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 8,2%, um prêmio de apenas 1,3 ponto percentual sobre os juros reais dos títulos públicos, próximo de mínimas históricas.

O Citi aponta dois fatores que limitam o espaço para novas altas: o balanço financeiro mais forte da empresa e possíveis mudanças em aditivos contratuais. A alavancagem reduzida da Motiva, que deve cair ainda mais com a venda da divisão de aeroportos prevista para o terceiro trimestre de 2026 (espera-se R$ 5,2 bilhões em caixa), fortaleceu seu perfil de crédito e permitiu o pagamento de juros menores. No entanto, isso também diminui o ganho potencial com o refinanciamento de dívidas com a queda das taxas.

Aditivos contratuais e o impacto dos juros

Os aditivos contratuais das concessões SPVias, AutoBAn e das Linhas 5 e 17 do metrô de São Paulo, que antes eram vistos como fontes de valor, agora podem ter suas condições revisadas devido à queda dos juros. O fluxo de caixa adicional previsto nesses contratos é calculado com base no custo da dívida, influenciado pela média de 60 dias dos juros reais dos títulos públicos. A aprovação desses aditivos também parece atrasada, com parte deles prevista apenas para o primeiro semestre de 2027.

Com juros mais baixos, o valor presente líquido (VPL) dos aditivos se manteve similar à análise anterior, pois o menor fluxo de caixa adicional é compensado por custos de financiamento reduzidos. Contudo, com a ação já mais valorizada, o potencial de alta adicional se tornou mais restrito.

Estratégia e riscos da Motiva

Desde 2022, com a mudança parcial nos acionistas de controle, a Motiva abandonou a estratégia de crescimento por aquisições e passou a focar na consolidação de suas concessões e na otimização do portfólio. Isso tem se traduzido em maior retorno aos acionistas, eficiência de custos e ajustes contratuais.

Os riscos que podem impedir as ações de atingir o preço-alvo incluem decisões governamentais desfavoráveis, falha no cumprimento de metas de retorno aos acionistas, aquisições a preços elevados, aumento nos custos de materiais e um cenário econômico adverso. Por outro lado, aquisições estratégicas, ajustes de portfólio e um cenário econômico mais favorável podem impulsionar os papéis acima do preço-alvo.

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