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Citi eleva recomendação de Mercado Livre para compra e vê potencial de alta de 23%

27 de outubro de 2026
Citi eleva recomendação de Mercado Livre para compra e vê potencial de alta de 23%

Destaques

  • •Banco americano muda recomendação de ações do Mercado Livre de neutra para compra, apostando em crescimento acima do mercado.
  • •Preço-alvo foi ajustado para US$ 2.050, representando potencial de valorização de 23% sobre a cotação de referência.
  • •Acompanhar a rentabilidade e a expansão da carteira de crédito do Mercado Pago em meio a juros altos e cenário político.

O banco americano Citi elevou a recomendação das ações do Mercado Livre (Meli) de neutra para compra, vendo uma oportunidade de investimento mesmo em um cenário macroeconômico desafiador no Brasil. A decisão ocorre em um momento de forte queda para as ações de varejistas brasileiras, como Magazine Luiza e Casas Bahia, após o resultado das eleições presidenciais.

Apesar de um leve ajuste para baixo no preço-alvo, de US$ 2.100 para US$ 2.050, o novo valor ainda representa um potencial de valorização de aproximadamente 23% em relação à cotação de referência. Os analistas do Citi, João Pedro Soares e Felipe Husein, acreditam que a recente desvalorização das ações do Meli já reflete as preocupações com investimentos necessários para o crescimento, pressão sobre margens e o cenário pós-eleitoral.

Crescimento acima do mercado e diferencial competitivo

O Citi aposta que o Mercado Livre continuará expandindo suas operações em um ritmo significativamente superior ao dos mercados de consumo onde atua, conquistando participação de mercado independentemente das condições macroeconômicas. A expectativa é de um crescimento de cerca de 30% no GMV (Gross Merchandise Volume, ou volume bruto de mercadorias) brasileiro em 2027.

A capacidade de execução operacional da companhia é vista como um diferencial. Além disso, a perspectiva de juros altos, com a Selic não caindo no ritmo esperado, pode dificultar os planos de novos entrantes e concorrentes de ampliar investimentos para disputar participação de mercado. Empresas como a Shopee, controlada pela Sea, podem ter sua capacidade de investimento no Brasil limitada pela diversificação de seus negócios e pelo custo de capital mais elevado.

Desafios e pontos de atenção

Apesar do otimismo, o Mercado Livre enfrenta desafios. A rentabilidade continua sendo um ponto de atenção, com o Citi avaliando que a empresa priorizará crescimento e participação de mercado em detrimento da expansão de margens no curto prazo. O risco é que a companhia precise aprofundar seus investimentos, pressionando a margem operacional para um patamar inferior aos cerca de 7% projetados para 2027.

Outro fator de preocupação é a expansão da carteira de crédito do Mercado Pago, que está mais exposta aos efeitos dos juros elevados. O Citi monitorará de perto o apetite ao risco, a inadimplência e as provisões, especialmente se o ciclo de crédito se deteriorar sob o novo governo. A volatilidade cambial também representa uma ameaça: uma desvalorização de 10% do real poderia reduzir em aproximadamente 15% o lucro líquido projetado para 2027.

Próximos passos e desempenho atual

As ações do Mercado Livre operavam em alta na Nasdaq, subindo 2,53% para US$ 1.710,90 por volta das 11h14. No ano, os papéis acumulam queda de 13,3%, levando o valor de mercado a US$ 86,7 bilhões. O banco não detalhou um prazo específico para a revisão da recomendação, mas a análise foca nas perspectivas de longo prazo da companhia.

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