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CEO da S&P Dow Jones vê ETFs no Brasil quase dobrando até 2027

29 de outubro de 2026
CEO da S&P Dow Jones vê ETFs no Brasil quase dobrando até 2027

Destaques

  • •CEO da S&P Dow Jones Indices, Catherine Clay, visitou o Brasil e se disse impressionada com o interesse dos investidores locais em ETFs.
  • •A executiva projeta que o número de ETFs negociados no país pode chegar a 400 até 2027, impulsionado principalmente pela renda fixa.
  • •O principal desafio para a expansão do mercado de ETFs no Brasil é a educação financeira dos investidores.

A CEO da S&P Dow Jones Indices, Catherine Clay, visitou o Brasil e se mostrou impressionada com o crescente interesse dos investidores brasileiros por ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundos negociados em bolsa). Em sua primeira visita ao país, Clay destacou que o mercado brasileiro se tornou mais atraente para grandes provedoras globais de índices de investimentos, como a sua empresa, responsável por indicadores como o S&P 500. Ela acredita que o número de ETFs disponíveis no Brasil pode quase dobrar até 2027, alcançando cerca de 400 produtos, com a renda fixa sendo um dos principais motores dessa expansão.

Atualmente, o Brasil conta com 225 ETFs, e a projeção de 400 representaria um crescimento de aproximadamente 75%. O mercado já demonstra uma aceleração significativa, com 177 produtos no fim de 2025 e um patrimônio que saltou de R$ 83 bilhões para R$ 137 bilhões nos primeiros nove meses de 2026. A base de investidores também cresceu, chegando a quase 1 milhão de pessoas.

Renda Fixa como Motor de Crescimento

Catherine Clay identificou os ETFs de renda fixa como um segmento particularmente promissor no Brasil. Ela acredita que haverá muita inovação nesse espaço, o que é natural dado o perfil histórico do investidor local, que é tradicionalmente concentrado em renda fixa. O movimento da indústria no país também corrobora essa visão.

Neste ano, os fundos que seguem índices de títulos públicos e privados captaram quase o triplo em ingressos líquidos (aportes menos resgates) em comparação com os fundos atrelados a ações. Essa preferência por renda fixa, combinada com a diversidade de produtos que os ETFs oferecem, aponta para um potencial de expansão considerável.

Interesse Internacional e Desafios Locais

O potencial do mercado brasileiro não se restringe ao público interno. Clay afirmou que o Brasil sempre atraiu a atenção de investidores estrangeiros, especialmente nos Estados Unidos, que buscam formas de investir no país de maneira mais significativa. Os ETFs podem servir como um instrumento adicional para facilitar essa exposição, tanto para brasileiros em ativos internacionais quanto para estrangeiros no mercado brasileiro.

Apesar do otimismo com a expansão e o interesse global, Clay apontou a educação financeira como o principal desafio para o amadurecimento do mercado brasileiro de ETFs. Ela ressaltou a necessidade de um esforço educacional em massa para que todos compreendam as oportunidades e as diferenças entre índices, estratégias, custos e riscos. A proliferação de produtos, embora positiva para a diversificação, pode dificultar a escolha para investidores iniciantes, um problema já observado em mercados mais maduros como o dos Estados Unidos.

A executiva sugeriu que iniciativas como as "Trump Accounts" nos EUA, que direcionam automaticamente um valor inicial para um ETF do S&P 500 para crianças, poderiam ser adaptadas no Brasil. O objetivo seria reduzir as barreiras de entrada e a dúvida inicial do investidor, incentivando o aprendizado sobre mercados e a exposição a investimentos desde cedo. Para Clay, a ampliação da oferta de produtos deve vir acompanhada de um esforço contínuo em educação e na facilitação da transição da poupança para investimentos, tornando o mercado mais acessível a um público maior.

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