CEO da Drumwave propõe que usuários gerenciem dados como dinheiro

Destaques
- •André Vellozo, CEO da Drumwave, defende que usuários controlem e monetizem seus dados pessoais.
- •A plataforma Drumwave permite que indivíduos 'poupem' seus dados, licenciando-os para empresas e recebendo pagamentos.
- •A empresa mira 2027 como meta, apostando na convergência tecnológica da IA, valorização dos dados pelos consumidores e regulação global.
André Vellozo, CEO da Drumwave, propõe um novo modelo para a economia de dados, onde os usuários tenham controle e possam monetizar as informações que produzem diariamente. Em vez de empresas coletarem e utilizarem dados sem remuneração direta ao indivíduo, a Drumwave visa permitir que as pessoas gerenciem seus dados como se fossem ativos financeiros, como em uma conta poupança.
A tese central da Drumwave é que o usuário seja o dono de seus dados, podendo alocá-los em um plano. Empresas interessadas em utilizar esses dados licenciariam o acesso, pagando pelo plano, e parte desse valor seria repassado ao dono original do dado. Segundo Vellozo, um americano já consegue receber cerca de US$ 25 pelo uso de seus dados.
O dado como ativo financeiro
Vellozo explica que todo dado é gerado em alguma relação, desde uma compra simples até um exame médico. Ele argumenta que o próprio usuário arca com os custos de processamento desses dados, seja através do uso de seu celular, conta de telefone ou consumo de energia. Portanto, na visão dele, é justo e lógico que o indivíduo possa "poupar" e se beneficiar de seus próprios dados.
A proposta coloca os bancos em uma posição central. A ideia é que as instituições financeiras, que já custodiam o dinheiro dos clientes, passem a custodiar também seus dados, permitindo que eles gerem valor. Atualmente, bancos precisam comprar dados de birôs especializados para análises de crédito. Com o modelo da Drumwave, tanto o dinheiro quanto os dados poderiam crescer em valor.
A meta para 2027 e o cenário futuro
A Drumwave estabeleceu 2027 como meta para a implementação completa de sua proposta. Três condições são vistas como favoráveis para atingir esse objetivo: a convergência tecnológica impulsionada pela inteligência artificial (IA), uma maior conscientização dos consumidores sobre o valor de seus dados e discussões globais sobre a regulação do setor.
Vellozo também comentou sobre o cenário econômico e tecnológico previsto para o próximo ano. Ele antecipa um período de liquidez e estresse, com a expectativa de que o ciclo de IPOs de empresas como SpaceX, OpenAI e Anthropic injete capital no mercado de venture capital. Contudo, os Estados Unidos podem enfrentar pressões em seus sistemas de previdência e a substituição de empregos por IA, gerando uma potencial falta de demanda por novas soluções.
Regulação focada no dado
Sobre a regulação da IA, André Vellozo considera ineficaz tentar controlá-la pelos resultados dos modelos, dada a sua aplicação em diversos setores como saúde, finanças e engenharia. Ele defende que o foco da regulação deva ser na "entrada" da tecnologia, ou seja, no dado. "Regula o input, o dado", afirma.
A discussão completa sobre a visão de André Vellozo e o modelo de negócios da Drumwave está disponível no podcast MVP, do Startups, no YouTube, Spotify e outras plataformas de áudio.
Matérias originais
- Para a Drumwave, o dado é a nova poupança · startups.com.br



