Buraco na camada de ozônio sobre a Antártida atinge maior dimensão em 4 anos

Destaques
- •Fenômeno atingiu a sétima maior extensão média desde 1979, com 25 milhões de km².
- •Condições meteorológicas atípicas e vórtice polar intenso impulsionaram o crescimento.
- •Cientistas afirmam que a camada de ozônio continua em recuperação, graças a acordos internacionais.
O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida atingiu uma das maiores dimensões dos últimos 48 anos. Dados divulgados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e pela NASA nesta quarta-feira (4) indicam que o fenômeno teve a sétima maior extensão média desde o início do monitoramento, em 1979. Durante o período de maior destruição do ozônio, entre 7 de setembro e 13 de outubro, a área média do buraco chegou a aproximadamente 25 milhões de quilômetros quadrados, mais de duas vezes o território dos Estados Unidos.
O que impulsionou o crescimento em 2026?
O aumento expressivo foi impulsionado principalmente por condições meteorológicas atípicas e por um vórtice polar especialmente intenso. O vórtice polar é uma corrente de ventos que circula a Antártida durante determinadas épocas do ano, mantendo o ar extremamente frio concentrado na região.
Em 2026, sistemas meteorológicos de grande escala que normalmente ajudam a enfraquecer e romper essa estrutura foram particularmente fracos durante agosto e setembro. Com isso, os ventos mais intensos do vórtice permaneceram mais afastados do Polo Sul, criando uma área maior com condições favoráveis à destruição do ozônio.
O processo também depende de substâncias químicas produzidas pela atividade humana, como compostos que contêm cloro e bromo. Esses elementos são transportados para a estratosfera, onde a radiação ultravioleta libera átomos que interagem com partículas presentes nas nuvens estratosféricas polares, desencadeando reações que destroem moléculas de ozônio.
A camada de ozônio está se recuperando?
Apesar do tamanho expressivo, os cientistas ressaltam que a camada de ozônio continua no caminho da recuperação. A redução de substâncias químicas que destroem esse gás, resultado de acordos internacionais como o Protocolo de Montreal, impediu que o buraco atingisse dimensões ainda maiores.
Paul Newman, cientista da Universidade de Maryland (EUA) e antigo líder da equipe de pesquisa sobre ozônio da NASA, afirmou que o fenômeno costuma surgir mais tarde na temporada nos últimos anos, um sinal de recuperação. Ele estima que, se a concentração de substâncias destruidoras do ozônio na atmosfera ainda estivesse nos níveis registrados no pico do ano 2000, o buraco poderia ter sido entre 3,5 milhões e 5,6 milhões de quilômetros quadrados maior.
Desde os níveis máximos registrados na década de 1980, a concentração de cloro na estratosfera antártica caiu aproximadamente um terço, segundo Stephen Montzka, pesquisador da NOAA.
Como o ozônio é monitorado e próximos passos
O acompanhamento da camada de ozônio combina medições feitas diretamente na atmosfera com observações por satélite. Na Antártida, pesquisadores da NOAA utilizam instrumentos transportados por balões meteorológicos e equipamentos ópticos como o espectrofotômetro de ozônio Dobson. Em 2026, a concentração de ozônio atingiu seu menor valor anual em 17 de outubro: 105 unidades Dobson.
Satélites como Aura (NASA), NOAA-20, NOAA-21 e Suomi NPP (NASA/NOAA) também são fundamentais para acompanhar as mudanças desde 1979. Embora o buraco tenha crescido em 2026, as agências avaliam que a tendência de longo prazo continua positiva.
Os produtos químicos responsáveis pela destruição do ozônio podem permanecer na atmosfera por muitas décadas. As estimativas indicam que a camada de ozônio deverá se recuperar completamente até a década de 2070.
Matérias originais
- Camada de ozônio tem piora inesperada em 2026, mas recuperação continua · olhardigital.com.br


