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Olhos biônicos restauram parte da visão e prometem avanços futuros

03 de novembro de 2026
Olhos biônicos restauram parte da visão e prometem avanços futuros

Destaques

  • •Pesquisadores desenvolvem olhos biônicos capazes de restaurar a visão perdida, com potencial para superar a visão natural.
  • •Dispositivos pioneiros como o Argus II e o chip da Retina Implant AG enfrentaram limitações, mas novas abordagens mostram resultados promissores, como o dispositivo Prima.
  • •Avanços futuros podem incluir visão noturna, infravermelho e aprimoramento de imagem, embora desafios com biomateriais e a concorrência de terapias com células-tronco permaneçam.

A ficção científica de mundos como Star Trek e O Exterminador do Futuro, que imaginava a visão aprimorada pela eletrônica, está se tornando realidade com o desenvolvimento de olhos biônicos capazes de restaurar parte da visão perdida. Embora as capacidades atuais sejam básicas, a tecnologia tem evoluído, com potencial futuro para oferecer recursos que transcendem a visão humana natural, como manipulação de imagens e a capacidade de enxergar além do espectro de luz visível.

Os implantes atuais focam em problemas da retina, a camada de células sensíveis à luz na parte posterior do olho, essencial para a percepção visual. Quando a retina é gravemente afetada, a perda total da visão pode ocorrer. Os trabalhos para tratar a cegueira retiniana com implantes iniciaram há mais de duas décadas.

Pioneirismo e Desafios Iniciais

Um dos primeiros dispositivos, da alemã Retina Implant AG, utilizava um chip sensível à luz implantado sob a retina danificada. Este chip se conectava às células retinianas saudáveis remanescentes, transmitindo o sinal visual para o cérebro. A cirurgia era complexa, levando cerca de oito horas, e envolvia a criação de um recesso no crânio para um receptor de energia conectado ao chip por um fio sob a pele.

O dispositivo oferecia uma visão rudimentar, com os pacientes percebendo apenas flashes de luz. Muitos implantes falhavam com o tempo, possivelmente devido a movimentos oculares ou corrosão. A Retina Implant AG encerrou suas atividades em 2019, citando a falta de progresso médico.

Outro dispositivo pioneiro, o Argus II, combinava uma câmera em óculos com um chip sobre a retina. A imagem era convertida em sinal e transmitida sem fio para o chip, que estimulava as células retinianas saudáveis por meio de 60 eletrodos. Apesar da autorização da FDA em 2013, o Argus II também foi descontinuado em 2019 por não apresentar resultados suficientemente convincentes.

Novas Abordagens e Resultados Promissores

Apesar dos contratempos, a pesquisa persiste. Uma abordagem recente utiliza uma câmera externa que transfere energia e dados de imagem sem fio para um chip implantado no córtex occipital, a região do cérebro responsável pela visão. Essa técnica pode beneficiar pacientes com doenças da retina e do nervo óptico. A empresa ReVision Implant planeja iniciar seu primeiro teste clínico em humanos em outubro de 2026.

Outra opção são óculos que transmitem imagens e energia para um chip sub-retiniano via sinal infravermelho. O dispositivo Prima, que utiliza essa técnica, foi testado em casos de degeneração macular relacionada à idade do tipo seco (DMRI). Em um pequeno ensaio clínico, o dispositivo restaurou a visão central funcional em 81% dos pacientes, permitindo a leitura. O Prima já possui autorização em 30 países europeus.

A DMRI, por ser mais comum que doenças retinianas hereditárias, torna o Prima mais atraente para investidores. No entanto, surgem questões éticas, pois pacientes com DMRI geralmente possuem boa visão periférica e têm muito a perder caso a cirurgia complexa apresente riscos.

Visão Sobre-Humana e o Futuro

As tecnologias de visão artificial abrem portas para funcionalidades adicionais. O Prima já permite zoom óptico, e algoritmos para aprimoramento da imagem foram propostos. No futuro, dispositivos com câmeras capazes de enxergar além do espectro visível, como imagens térmicas e visão noturna, podem surgir. Um dispositivo com visão infravermelho próximo já foi testado em primatas.

Contudo, esses avanços só se tornarão mais relevantes quando a visão artificial rudimentar atingir um nível superior. Desafios com biomateriais e eletrônica persistem para uma restauração completa e duradoura da visão. Uma concorrência ainda maior vem das soluções biológicas, como as células-tronco, que estão em estágios iniciais de testes em humanos e podem, um dia, superar os olhos biônicos se conseguirem substituir as células retinianas perdidas.

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