Bunge fecha fábrica de fertilizantes na Argentina e demite 130 funcionários

Destaques
- •A Bunge anunciou o fechamento de sua unidade fabril em Campana, na Argentina, que produzia amônia e tiossulfato de amônio.
- •A decisão impacta diretamente mais de 130 empregos diretos e é justificada por entraves de infraestrutura, tecnologia antiga e mudanças no mercado.
- •A empresa reafirma compromisso com a Argentina, mantendo investimentos em processamento de grãos e agroindústria.
A Bunge determinou o fechamento de sua unidade fabril em Campana, na província de Buenos Aires, Argentina. A fábrica deixará de produzir amônia e tiossulfato de amônio, insumos estratégicos para o setor de fertilizantes. O encerramento afeta diretamente mais de 130 postos de trabalho, com potencial de estender reflexos a vagas indiretas na região.
Fontes próximas à empresa indicam que a decisão ocorreu após um longo processo de análise e avaliação de alternativas operacionais e comerciais. Entre os motivos que pesaram estão os entraves de infraestrutura e tecnologia de uma unidade com mais de 50 anos de operação, somados a mudanças nas regras do mercado e no suprimento de insumos. O polo contava com a participação societária da Associação de Cooperativas Argentinas (ACA), que detinha 17,5% da produção total.
Impacto na indústria local e competitividade
O anúncio ocorre em um contexto de críticas de diversos ramos da indústria argentina sobre a dificuldade em competir com produtos importados e arcar com os custos da manufatura nacional. Embora a flexibilização de importações não seja o único motivo, a perda de competitividade da unidade se agrava pelas deficiências estruturais da antiga instalação. O parque fabril era dedicado à elaboração de fertilizantes líquidos, com foco no tiossulfato de amônio, e também recebia amônia para processamento, matéria-prima cuja síntese de ureia no local já havia sido descontinuada.
A saída da Bunge amplia o rol de paralisações industriais registradas no município de Campana. Em maio, a fabricante Cabot encerrou operações em sua planta de negro de fumo. Desde 2023, o polo químico regional já havia registrado o fechamento de linhas operacionais ligadas a empresas como Archroma, Clariant e Barcan. O episódio recoloca em debate a competitividade da indústria nacional diante de alterações de custos, logística e fornecimento de matérias-primas.
Bunge mantém investimentos na Argentina
O fechamento da unidade em Campana não representa a retirada da Bunge da Argentina. Segundo interlocutores da companhia, o grupo manterá o plano de aportes em infraestrutura e instalações industriais voltadas ao processamento de grãos e ao fortalecimento da agroindústria do país. A empresa é uma das maiores corporações globais do agronegócio, com operações que abrangem captação, armazenagem e escoamento de grãos, além da moagem e refino de oleaginosas.
Em 2023, a multinacional oficializou um acordo de fusão com a canadense Viterra, avaliado em mais de US$ 8,2 bilhões (cerca de R$ 43,8 bilhões). A negociação buscou ampliar o alcance internacional e consolidar a presença do grupo nas etapas de suprimento, beneficiamento e distribuição de produtos agropecuários, posicionando a companhia em múltiplos elos da cadeia produtiva.



